“Não importa a dimensão da escuridão, um raio de luz é o suficiente para dissipá-la instantaneamente. O que é a escuridão? É a ausência da luz. O que é a maldade? É a ausência do amor. O amor é a luz que dissolve a escuridão da maldade.” (Sri Prem Baba)
Arquivo por Autor

Só um pensamento IX…
maio 9, 2012“Quem não tem medo da vida também não tem medo da morte.” (Arthur Schopenhauer)

Só um pensamento VIII…
maio 1, 2012“Que os vossos esforços desafiem as impossibilidades, lembrai-vos de que as grandes coisas do homem foram conquistadas do que parecia impossível.” (Charles Chaplin)

Só um pensamento VII…
abril 24, 2012“Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma humana” (Carl Jung).

Eu vos declaro irmão e irmã
abril 22, 2012
Um bebê grita; uma criança chora; uma vida muda. Assim foi o início de quando nos conhecemos, de quando você surgiu no mundo e na minha vida.
Um dos títulos foi dado a você, involuntariamente, mas havia alguns que passamos a compartilhar, e foi isso que me fez próximo de ti. Olhava-a como um tesouro e sentia necessidade de protegê-la. Não houve um momento em que sua existência passasse desapercebida da minha, mesmo quando não estava por perto ou vivíamos diferentes assuntos. E esse é um dos motivos que faz eu achar a vida tão especial. Assim eu aprendi a respeitá-la.
Entre brincadeiras e brigas, aprendemos a olhar um para o outro, a conhecer nossas almas e a saber, até por um pequeno período, que nada é capaz de separar o que foi criado com tanto amor. E olhando para ele, consigo perceber todo o amor do mundo. Doados e compartilhados.
Cada instante em que estivemos ligados pelo cordão umbilical fez com que fosse digno de sentir as dores, as mágoas, as alegrias, as conquistas… Tudo.
Vê-la chorar me faz chorar. Vê-la sorrir me fez sorrir. E chorar.
A palavra dita não é o que mais exprime, mas o sentimento por trás dela e, por isso se torna tão importante. “Eu acredito em você”. Eu também. Em mim. Em você. Em nós.
Seja feliz! Amo-te! Verdadeiramente. Incondicionalmente. Infinitamente.

Só um pensamento VI…
abril 17, 2012“A separação é somente uma ilusão – está tudo dentro de nós. A raiz de toda a maldade no mundo está no jogo de acusações. Às vezes, o coração está tão fechado, que a pessoa não pode sentir nada. Quanto maior o fechamento, maior a acusação. E esse fechamento gera todo o tipo de conflito que conhecemos. Eu estou me referindo a algo que parece tão pequeno (um conflito com um parceiro, com o pai, com o namorado, com o vizinho…), mas que é a causa das guerras, da violência e da destruição no mundo. Eu me refiro à crise que o planeta está vivendo. Quem promove a crise são os seres que estão aqui nessa Terra evoluindo. Nós somos co-criadores de tudo que é bom ou mau. A nossa guerra de cada dia influencia as guerras que estão acontecendo no mundo. A violência que nos acomete no nosso pequeno mundo influencia na violência do grande mundo.
Estamos trabalhando para enxergar o mal dentro de nós mesmos. Esse é o mahamantra da transformação: eu saí para o mundo à procura das pessoas más, porém não pude encontrar ninguém. Então, eu olhei para dentro de mim e encontrei todo o mal do mundo.” (Sri Prem Baba)

Mar adentro
abril 16, 2012
Antes de dormir, fui fazer minhas preces habituais. Agradeci a bênção de estar vivo e de poder ter por perto pessoas tão especiais. Foi quando fechei os olhos e me imaginei posto de frente para o mar, com vista para o infinito. Buscava naquela imensidão o equilíbrio que necessitava.
O horizonte era ao mesmo tempo apaziguador e misterioso, mas isso não me amedontrava. Diferente do de costume, ao invés de apenas contemplá-lo, mergulhei mar adentro.
Nesse movimento, senti cada parte do meu corpo e tudo o que me compunha, até o que me foge. Passei pelo medo, dor e solidão, mas também experimentei doses de amor, paz e harmonia. E eu chorei.
As lágrimas somavam ao que me cercava e escondia o segredo por detrás dos meus olhos entristecidos. Só saí do anonimato ao expelir sangue pelas janelas marejadas. Não estava ferido, mas a vida escorria por mim – ou de mim.
O frio era tão intenso e crescente que, em segundos, parei de sentir meu corpo. No entanto, não tinha dúvida que continuava existindo. Meu revestimento congelava à medida que meu interior aquecia, tão antagônico quanto complementar. E não estava só.
Ao meu redor havia corpos flutuando como o meu. Semi-congelados. Não sobrou sequer um resquício de vida aparente, mas o somar dos brilhos formado pelos olhares perdidos, fez o oceano parecer um límpido céu estrelado. Era o Universo inteiro presente. Cada um por si e todos por um só. Nunca vi nada mais lindo. E eu sorri.
Permanecemos por horas em comunhão. Estávamos unidos por justificativas diversas, mas apontados para o mesmo fim. Sabíamos que podíamos estar sendo contemplados como a um altar natural, e é o que nos fazia continuar inertes e conformados.
Retornei ao ponto em que estava. Não havia deixado o pé da minha cama, ainda ajoelhado. Antes mesmo de me levantar, cruzei os braços, procurando calor e proteção. Murmurei meia dúzia de palavras, expus mais uma vez minha gratidão e finalizei a oração. Consciente de mim, optei por não desistir.

Partindo tolices
abril 13, 2012Eu deixei meu coração aqui
Apenas porque pensei que poderia fazê-lo
Foi para você que eu escrevi este texto
E se eu sou um tolo por isso
Então este tolo jamais estará com você
Fui corrompido pelas escolhas que fiz
Mas também corroído pelas renúncias dos outros
Todo valor que você deixou de me dar
Se o cultivo não foi o suficiente
Tudo o que foi acabaria mesmo por estragar
Seria justo dizer que fui varrido
Se não fosse pela decisão de pegar o caminho de volta
As ações de ontem se tornam consequências de hoje
Apodrecido e esquecido
É necessário aceitar o que nunca mais será

A verdade (sobre ti) sem palavras
abril 10, 2012
Você não quis falar,
Eu não quis ouvir.
Não quisemos sentir a verdade que sempre esteve aqui, mas que jamais tivemos coragem de expor.
Você quis que eu não existisse, mesmo sabendo que a existência não depende do querer.
Percebi que precisava ser e, notando isso, eu já estava sendo,
Apesar de falho, incompleto e dominado.
Juntei todos os meus pensamentos e todas as minhas emoções
E fiquei tão confuso, como se nada disso tivesse me pertencido.
E não pertenceu.
Subjugado pelo outro de mim, pensei ser a exceção e senti toda a solidão da humanidade.
Fugi como toda gente.
Tentei não me importar com nada,
Racionalizei e emocionei tudo,
Deixando a mente e o coração me sobrepor.
Não quis mais me envolver nos eternos problemas inúteis,
Muito menos deixar que estes determinassem minhas escolhas.
Foi então que voltei a notar você e compreendi nosso diálogo emudecido.
Seja como for, voltei a sentir, a querer, a pensar, a sofrer, a sorrir, a amar, a me envolver em todos os meu desejos,
Mas acima de tudo, voltei a ser.
Longe e perto de todas as lógicas e de todas as sensações,
Eu voltava a encontrar o eu que sempre existiu, mesmo enquanto estive distante de ti.

Só um pensamento V…
abril 10, 2012“O ego não pode perdoar porque o perdão é um fenômeno que está além dele. Em algum momento, o perdão será iluminado. Porém, esse momento somente chega quando você estiver suficientemente maduro. É verdade que você precisa perdoar, mas não pode forçar isso, porque não é com a mente e com o intelecto que você perdoa – você é tomado pela compreensão e pela compaixão;… você é tomado pela Sagrada Sabedoria. Então, você simplesmente aceita e isso te liberta do passado. Isso é um fenômeno puramente espiritual – é o resultado do processo de cura; é o fruto da árvore da consciência. Mas, você somente pode colher o fruto da árvore quando ele está maduro. Você não pode fabricar a fruta, mas pode preparar o terreno, plantar a semente, cuidar dos brotos para que eles possam crescer… É isso que estamos fazendo. Não se preocupe com o tempo, apenas se entregue para o processo e faça o seu melhor. Quando você menos esperar, a árvore dará um fruto.” (Sri Prem Baba)

Tentei ser eu
abril 7, 2012
Toda noite ao dormir eu penso em você.
Cada espera em mim é só por você.
Às vezes não te quero,
E às vezes você não me tem.
Nós vivemos o que nós tentamos escolher,
Na certeza que eu não sei mais o que fazer.
Já tentei te alcançar,
Mas não sei mais o seu lugar.
Eu tentei me arrumar com um disfarce de mim.
Para todos que viam, era um tipo assim.
Tipo nada, tipo ninguém.
Só mais um, mais alguém.
Nos meus sonhos você sempre conquistou.
E as incertezas nunca mais nos desviou, do que sobrou,
Do que somou.
A resposta para todo meu receio,
E o orgulho de que não temos direito.
Tentei ser eu,
Mas só fui outro.
Somos dois, mas já fomos um só.

Aprendendo a fazer a inversão
abril 4, 2012Insatisfeitos com tudo, sempre queremos que as coisas sejam de forma diferente. Julgamos a nossa maneira de enxergar a mais coerente, correta e eficaz. Porém, não observamos que independente da nossa vontade ou dos achismos recorrentes, o que deveria ser não é. Passamos tempos e tempos pensando no que gostaríamos que fosse, ao invés de pensarmos na verdade do presente, no agora como ele é. Seja bom ou mau o que é não pode deixar de ser. Não precisamos apreciá-lo, mas devemos aceitá-lo.
Essa reflexão me consumiu bastante nas últimas semanas. Pensei sobre mim, sobre os outros, sobre os dois, sobre nem um nem outro, sobre um ao invés de outro e sobre o outro ao invés de um. Mas só obtive respostas no que diz respeito a mim, ao notar que o outro só se encontrava presente no reflexo das minhas vontades e convicções. Me vi em tudo e deixer de ver tudo em mim. Esta inversão, num primeiro momento, parece simples, mas é mais complexa do que conseguimos imaginar.
A medida que vamos crescendo, a cada nova etapa de nossas vidas, aumentamos a espessura e resistência de uma capa que criamos – a qual chamarei de convenção – e que é o motivo de sermos tão reticentes em relação a nós mesmos. Acreditamos que essa capa é uma proteção do mundo exterior, mas não imaginamos que pode também servir de proteção para o mundo interior. E isso sim é mais nocivo. Por esse motivo, a subdividi em duas camadas: a primeira – e mais externa – que eu chamo de convenção social; e uma outra – mais corpulenta que a primeira – que eu denomino convenção pessoal. Na convenção social é mais fácil entendermos seus mecanismos e influências e, por conseguinte, se torna mais fácil amenizar, modificar e suprimir. São as influências da sociedade sobre o individuo que dita normas a respeito de tudo: como se vestir; como se portar; como agir…
Já compreender a convenção pessoal é um tanto quanto mais penoso. Esta é o que influencia a outra convenção. Podemos transgredir a regra imposta pelo sistema, mas, ao fazê-lo, geralmente estamos subjugados por uma outra força, invisível e corrosiva. É a mesma força que nos faz pensar que as coisas deveriam ser de tal forma e não da forma que são. E a mesma que nos faz pensar que nossas ideias, pensamentos e opiniões são sempre melhores que a dos outros e do que a própria realidade. Aceitar e compreender esse tipo de convenção é um processo doloroso e que, muitas vezes, não estamos dispostos a enfrentar.
Vivemos a facilidade do superficial persuasivo mascarado com conceito e juízo. Porém, não há nada mais simples do que apenas ser, pois não é preciso nada além de existir. Não reparamos – ou simplesmente não queremos reparar – que a capa nos traz dores diárias e intermintentes, e que todos os prazeres vividos neste âmbito – e supervalorizados – são perecíveis e logo serão preenchidos por mais sofrimento, um autoflagelo despercebido.
Estamos sempre querendo mais, e ao querer mais nunca teremos nada. Nunca seremos nada. Ou melhor, seremos, sem experimentar ser. Quase como se tivéssemos vivendo a vida de outro.
A convenção pessoal, apesar de menos notada, segue um fluxo básico que é formado pelo pensamento e pela emoção. Não há nada que pensamos que não nos gere um sentimento sobre aquilo, e este, por sua vez, faz com que alimentemos mais nossa ideia e certeza sobre o assunto. Acreditamos que tudo que sentimos e pensamos está presente no que somos, mas não está. É só a capa que nos reveste. E este tráfego incessante é o que impulsiona a convenção que denominei de pessoal. Anular uma convenção deste tipo é mais complicado, mas não é impossível. Entretanto, é necessário determinação e entrega.
Buscar o meu eu essencial tem sido uma investigação de anos de existência, mas a compreensão está chegando através de um mergulho intrínseco. Olhar para si ao invés de olhar para o outro. Não como uma forma de egoísmo, mas de entendimento. Desejar que as coisas sejam como são e respeitar o próximo como ser único e ciente de si, e não como você gostaria que fosse. Aprender que muitos dos problemas – de terceiros e do mundo – são reflexos de coisas que devemos resolver em nós mesmos, uma inversão de julgamentos. É a rota mais rápida para atingirmos a autocompreensão.
Chegar à natureza primordial é uma trejetória escarpada, mas o resultado é muito gratificante. Quando o caminho é completado, as dificuldades diárias e ignoradas passam a ser vistas e deixam de influenciar o que somos. O sofrimento e raiva deixam de fazer parte da nossa estrutura e dão lugar à vida propriamente dita. Abrimos nosso mundo e percebemos que o universo inteiro está dentro de nós. E que nós somos parte dele.

Só um pensamento IV…
abril 3, 2012“Sua visão só ficará clara quando você olhar em seu coração. Quem olha fora, sonha. Quem olha dentro, desperta.” (Carl Gustav Jung)

1001011101011001
abril 2, 2012Caminhando mundo afora – ou melhor, adentro – me deparei com uma pequena encruzilhada. Ela separava o caminho em duas partes: de um lado avistava um lindo campo verdejante em uma estrada sem vielas; do outro apenas a estrada nua, sem fim aparente, mas com diversas ramificações de novos cruzamentos.
A primeira reação seria o de seguir pelo atalho em cores, pois parecia mais simples, mas notei que da mesma forma que os lindos prados se estendiam, o céu ia se escurecendo seguindo sua trilha. Pensei como deveria pensar o pensamento. Avesso às ideias de sempre, eu escolhi. Decidi que deveria seguir, e segui, tentando não afogar meu coração em falsas esperanças. Escolhi a via aparentemente mais árdua e fria, mas não tinha receio de voltar caso necessário.
Guiando-me pela ignorância do que estava por vir, abandonei a ansiedade e o medo e passei a contemplar tudo que estava ao meu redor. Hora ou outra encontrava novo encruzamento e optava por outro rumo, seguindo, vivendo. E deixava rastros no caso de precisar retornar. Em certo momento, parei para descansar e pensei sobre o destino anteriormente abandonado e em todos os outros que se seguiram. Foi quando me dei conta de que o céu que ora avistara provavelmente não estaria mais da mesma forma, e que minhas decisões tiveram a ver com o presente que vivera naquele momento.
Meu pensamento se contaminou com dúvidas e arrependimentos. E me senti mal por isso. Olhei para trás e observei a trilha que marcava o caminho de volta. Levantei e pé ante pé me movi para o sentindo contrário ao de antes. Porém, em poucos passos parei novamente. Identificava os objetos que formavam os vestígios, mas não reconhecia a estrada. É como se tivesse sido formado um novo caminho. E tinha, de fato. Foi então que voltei a andar, só que desta vez sem olhar para pistas observadas no itinerário, mas para os sinais do que sou e que sinalizavam aonde deveria ir. Parei de pensar na estrada em si e passei a fruir a caminhada. Notei que as decisões se tornavam mais fáceis a medida que deixávamos ela seguir seu próprio rumo, sem destino aparente, mas com o entusiasmo de viver. Nesse momento, voltei a me deleitar e a aceitar as consequências do roteiro assumido.
Antigamente eu pensava que todas as escolhas se resumiam a um sim ou a um não, como num código binário. Hoje acho que a complexidade de nossas direções são mais que meros 1 e 0 arranjados. Penso que nosso destino é guiado pelos ‘sins’ que escolhemos, e que os ‘nãos’ são verdades inexistentes, ilusão do que poderia ter sido e nunca será. Precisamos aceitar, assumir e respeitar quem somos e nossas decisões; precisamos ser humildes diante do que consideramos “más escolhas”, tentando solucioná-las ao invés de enfrentá-las. Tudo isso tendo consciência de que nenhum caminho tem volta e que a reação de tudo o que fazemos faz parte da estrada da vida e, que somos nós que temos o controle daquilo que denominamos destino.

Só um pensamento III…
março 26, 2012Nossa insistência em viver falsas verdades poderá nos custar caro.

O menino do quarto ao lado
março 24, 2012O menino do quarto ao lado sempre esteve lá. Nem sempre conseguia vê-lo, por vezes nem ouví-lo eu podia, mas sempre soube que ele estava por perto. E isso me dava segurança.
O conheci ainda garoto em nossas estripulias corriqueiras. Nos tornamos amigos rapidamente, como qualquer um que se identifica com qualquer outro. Não precisamos de muito lero-lero para entender nossas histórias e iniciar a nossa própria.
No auge de nossa garotice, costumávamos nos aventurar mundo afora. Apreciávamos as belezas do mundo e colhíamos a valia das pessoas que conhecíamos no meio do caminho. Nossa parceria se firmou quando entendemos a bela amizade que se formara. Sempre fui fiel a ele, seja nos momentos de diversão ou de sofrimento. Arrisco dizer que o conheci tão bem que as máscaras do dia-a-dia de um e de outro deixaram de nos enganar. Todo o caminho percorrido nos ajudou a sentir, ser e entender que a vida é uma estrada onde esbarramos com pequenos pedaços de existências, mas que cultivamos raras preciosidades. O menino do quarto ao lado sempre foi uma delas, e sempre será. Mas ele não está mais lá. Sei pelo silêncio que se formou, o vazio que completou o imenso ambiente e a imagem que não sou mais capaz de enxergar.
Nós não fazemos mais estripulias, não nos aventuramos mais pelo mundo, mas a amizade que se formou em tempos remotos ainda faz parte do que sou e do que nunca deixarei de ser. Sua presença continua tendo seu lugar cativo. Isso é uma conquista que não precisaremos jamais abdicar.
Ontem ele esteve aqui, hoje ele está ali. Mas o que importa é que há um lugar em que ele sempre permanecerá.
Caro menino, agradeço a ti por ter feito parte da minha história e por continuar sendo tão importante em todos os momentos. Sentirei sua falta.
Agora só me resta aguardar os novos momentos e conquistas.

O vôo da borboleta
março 7, 2012Hoje eu tive um sonho. Meu mundo tinha mais tonalidades que o convencional, as formas tinham uma dimensão extra e se mexiam incessantemente em movimentos circulares para dentro de mim. Não precisava abrir a boca nem respirar profundamente para sentir os gostos e os cheiros a minha volta. Fechava os olhos e não havia escuridão, só cores, formas e vida… Me sentia parte do grande universo.
Entre prazeres, harmonia e sofrimento pude descobrir um pouco mais a respeito da alma livre. Me apeguei por minutos às minhas crenças, até constatar que precisava me desprender dos pensamentos, emoções e ilusões - tudo aquilo que vinha junto com minhas construções de mim mesmo. Então, resolvi não ser meu próprio obstáculo e me comunicar com a vida. Olhei para o horizonte e ao longe avistei uma borboleta, tão colorida quanto a existência de tudo.
Compreendi que a vida é um lindo sonho, mas que, ao contrário do que poderia parecer, não estava dormindo. A borboleta voava em minha direção e eu admirava seu vôo livre e harmônico. Naquele momento eu enxerguei um pedaço do universo em sincronia e notei como tudo se encaixava perfeitamente. O entusiasmo do vôo da borboleta me trouxe paz e equilíbrio.
Regurgitei fantasias e credentias do mundo ficcional. Durante a explusão, me contaminei com incertezas, dúvidas e dores, mas ao observar o panapaná que se formara diante dos meus olhos esplendorosos, me despredi da nocividade daqueles sentimentos. Notei meus pés fora do chão e as asas sobressalentes como anexo do meu tronco. Me senti limpo e livre, como a primeira borboleta divisada.
De repente o mundo em que acreditava se tornou miragem.
Autônomo do que fora, deixei de acreditar e querer e passei a ser. Não sei por quanto tempo, mas cada milésimo de segundo era uma eternidade a mais.
Quando voltei do mundo real para o mundo dos sonhos, me deparei outra vez com a imagem da borboleta. Dei um sorriso tenro e sincero. Pensei em dar um até logo, mas travei a mão antes que o fizesse. Olhei meu reflexo e vi a imitação de mim mesmo admirando a imagem perpétua do sublime invertebrado gravada em meus olhos. Respirei aliviado e continuei existindo.
No passo imediato, quase esmaguei uma lagarta indefesa. Pensei em me lastimar ao sentir sua solidão, mas, ao invés disso, lhei dei passagem e mostrei um espaço seguro onde pudesse construir seu casulo. Dei meia volta e a deixei livre a partir dali. Não havia mais o que pudesse fazer por ela, a não ser esperar e contemplar o momento da crisálida. E assim o fiz.
Fiquei feliz por ela também ter a oportunidade de experimentar a maior sensação de todas. Ao nascer eu tive o primeiro contato com a liberdade, mas só a alcancei no momento do vôo livre.
Hoje eu tive um sonho… e nunca mais precisei acordar.

Só um pensamento II…
fevereiro 4, 2012“A mente que se abre a uma nova idéia jamais volta ao seu tamanho original”
(Albert Einstein)

Because…
janeiro 30, 2012Aaaaahhhhhhhhhh
Because the world is round it turns me on
Because the world is round. ..aaaaaahhhhhh
Because the wind is high it blows my mind
Because the wind is high. ….. aaaaaaaahhhh
Love is old , love is new
Love is all , love is you
Because the sky is blue , it makes me cry
Because the sky is blue…. …aaaaaaaahhhh
Aaaaahhhhhhhhhh ….

Sobre a queda do menino
janeiro 29, 2012Só consigo pensar no menino que sofre, com seu medo, dor e desesperança passageiras. Não paro de pensar no carinho desejado, nas lágrimas caídas e na fragilidade adquirida. Logo ele que parecia tão forte e alegre antes da queda, agora ele sofre como um ser feito de carne e osso débeis, como humano, que parece menino, mas é homem.
Pude sentir seu declínio quando, por segundos, ele – o menino – deixou de existir. Por mais que a tentação fosse grande ele não resistiu, continuou ali, vivo, como mais um pedaço de existência. E foi isso que me emocionou.
Fui até a janela, olhei para o quotidiano e observei a vida passar como habitual. Nada havia mudado, não haviam lágrimas oferecidas a parte de si. Por isso quase ninguém ouviu seu choro, mas acredito que seu berro soou como eco, preenchendo tudo que passava pela frente.
O mundo permaneceu girando. Em um canto um jovem faz panquecas; um outro rapaz assiste um filme romântico com sua namorada; tem até os que riam no bar ao lembrar das brincadeiras do dia. Nada havia se transformado no mundo, só no do menino, que eu reconhecia pela sua dor, verdadeira e primitiva.
Neste instante, compreendi que, ao contrário do que a maioria pensa, não é a capacidade de raciocinar que difere os seres humanos dos outros animais, mas o potencial de sentir em nível máximo e revelar verdades mascaradas até para si mesmo. Em outras palavras, a capacidade de ser humano. Nosso próprio nome já nos define.
O menino agora teve a chance de se ver natural, como veio e como vai. Ele chorou. Ele sofreu. E por isso eu recordei momentos dos homens e o reconheci. E eu chorei.

Quando os minutos se calam
janeiro 28, 2012Faltando um minuto para o dia a seguir, comecei a pensar no dia em que estava. Tentei repará-lo e senti-lo. Mas nada veio, a não ser o de sempre: silêncio – daqueles inquietantes. Fiquei tanto tempo pensando no dia em que estava que não reparei que não estava mais nele – só atentei ao observar o relógio e notar os quatro minutos excedentes. Ele se tornara outro subitamente, mas permanecia intacto como o dia que passou. Comecei a formar uma ideia do dia a seguir então, que, a essa altura, já era o dia em que estava.
(Re)comecei a me iludir. Criei um dia ideal, acrescentei um pouco de vontades e subtrai os temores. Passei vários minutos tentando formatar um pseudo dia perfeito para que, no final do dia, pudesse novamente refletir sobre o dia em que estava e me iludir com o dia a seguir. Minha rotina seguia um ciclo como os ponteiros do relógio.
Percebendo a confusão que formara, voltei a notar o dia em que estava e que iniciou há pouco – o relógio me dizia. Só que desta vez o que me chamou atenção foi a volta do silêncio inquietante. Observei que o silêncio a que me referia era acrescido de uma voz – quase um sussuro – e que não sabia a procedência. Olhei para um lado, para outro, e nada. A voz não parava de falar nem por um minuto e isso me deixava desassossegado. Momentaneamente senti um pouco de medo, achando que pudesse ser algo sobrenatural. Quando estava prestes a me desesperar, percebi que a voz sussurada vinha de mim. Era a voz de tudo aquilo que pensava. Meu pensamento ficou por minutos procurando a voz de si mesmo. Parei para pensar no silêncio, imediatamente. E quando o fiz continuei não o tendo por perto. Então parei de pensar.
(silêncio)
Quando a mente voltou a trabalhar, sua voz berrou: “Vamos voltar a pensar no dia a seguir?” e, automaticamente, comecei a pensar no dia em que estava. Só que desta vez raciocinei de uma maneira diferente. Parei de pensar sobre ele e tentei entender o que ele significava. Estava intrigado com o que acabara de observar. Olhei para o relógio e vi a hora marcando trinta e sete minutos de dia novo. Fiquei confuso por um minuto, até que o ponteiro completou mais uma volta e fez o relógio marcar novo horário. Nesse momento minha mente se iluminou, tentando se calar. Compreendi que não era o relógio que determinava o dia em que estava, pois ele – o dia – sempre existiu independente do tempo. Um novo clareamento surgiu e a voz quase emudeceu. O que há pouco tinha chamado de dia, entendi que não era nada mais que o meu Presente, o Agora sem o acréscimo das horas indicadas pelo falho instrumento.
(silêncio)
Agora sim pude sentir o meu dia. Abro um sorriso, aliviado, e vou me deitar sem precisar olhar para o relógio.

Apenas um
janeiro 25, 2012Eu era Outro. Será? Será que o Outro não fora Eu, porém não notado? O que faz o Eu e o Outro serem diferentes? Agora tenho certeza que sou Outro, da mesma forma que tenho certeza que sou Eu. Não há diferença. Talvez nas atitudes sim, mas não na causa de tudo, na energia que sempre me impulsionou. Nisso eu sempre fui Eu, mesmo tentando ser Outro.
Portanto, afirmo: sou da mesma forma o Eu e o Outro, apesar de parecerem opostos. Há alguma regra que diga que tenho que ser um e não todos ao mesmo tempo?
O que te encantou outrora foi o Outro, agora sou Eu. No entanto, o que você não parou para pensar é que somos o mesmo, nunca se esqueça disso! Eu tenho os dois; eu quero os dois; eu sou os dois. E quem diz isso às vezes é o Outro, às vezes Eu. Mas não importa… Só interessa mesmo o que é dito, aliás, o que é (sem o dito).
Não se engane outra vez ao comparar um ao outro, pois jamais seremos o mesmo e sempre seremos os dois. Não há escolha, só aceitação. Você que conheceu tão bem um e outro, ou melhor, o Outro e o Eu, deve saber mais do que qualquer um o Outro que fui e sou e o Eu que sempre serei. Somados. Compartilhados. Renovados.
Não há cartilha a seguir, não é necessário manual. Há só o que é (e não precisa ser dito), pois o é simplesmente é.
Eu não era Outro, continuo sendo. E o sou da mesma forma que o Eu, que sempre esteve lá, mas não havia sido notado. Sempre estivemos aqui, ambos, opostos sim, mas juntos. Pois somos apenas um. Eu.

A falta que você me faz
janeiro 17, 2012Volto a escrever, não para falar de ti, mas de mim.
Quero contar as lembranças dos tempos mais remotos e toda minha vida efêmera. Tenho memórias distantes, mas todas me parecem recentes. A proximidade delas não se deve ao fato em si – que muitas vezes mal consigo lembrar – , mas ao que as compunha e como até hoje consigo descrevê-las sensivelmente. Lembro dos exatos sentimentos exaltados, na mesma intensidade e importância. Posso revelar tudo o que significou para mim e para os que estiveram ligados ao que sou, ou fui. Até quando me refiro a ti, pois também sou capaz de traduzí-lo perfeitamente em essência, mas não vim para falar de ti.
Quando tinha quatro anos de idade eu e meu irmão ganhamos uma bicicleta de natal. Meu irmão é um ano mais velho que eu, logo ele tinha cinco. A dele era maior e vermelha e a minha azul. Cada um ganhou uma, ou era o que achávamos. O que a princípio pareceu ser um momento de muita alegria, dias após se tornou um dos fatos mais antigos e mais marcantes que presenciei na minha vida interna. Por uma confusão da minha avó materna, ela teve que devolver uma das bicicletas, e foi justamente a do meu irmão. Consigo recordar a exata expressão dele ao perder seu objeto querido. Lembro também de perguntar para a minha mãe porque não poderiam levar a minha ao invés de levarem a dele. Não sei qual foi a resposta, talvez tenham sido compradas em lugares diferentes, não sei. Era novo demais para entender o fato, mas maduro demais para absorver o momento. Acho que esse é o primeiro sentimento intenso a que me recordo: a dor do meu irmão.
A partir deste dia, resolvi que eu faria de tudo para que ele jamais sofresse a mesma coisa. Sempre que ganhávamos algo eu perguntava qual ele tinha gostado mais, pois assim evitaria sua decepção. Quando abria a geladeira e via que tinha apenas uma maçã, eu não comia, pensando que talvez ele pudesse querer. Isso revelou um pouco de como eu sou: um eterno doador.
Sou um cara sem muitas posses e acho que o acontecimento há cerca de 25 anos me fez compreender desde cedo que nada daquilo que achamos possuir são necessários ou possuímos de fato. Não tenho o mesmo apego que a maioria, pelo menos não no quesito material. Para mim o sorriso, a satisfação, a troca, o afeto, amor, tudo isso é tão belo e importante que faz o restante se reduzir a nada. Por que deveria perder tempo cultivando objetos que “nascem” fadados a extinguir-se, cedo ou tarde? Não me entendam errado, também adoro possuir, como todos, mas acima de tudo amo cultivar. Cultivar o sorriso de quem gostamos, os momentos inesquecíveis, o apoio e incentivo, a segurança e conforto. Da mesma forma que sempre fiz contigo, mas não vim para falar de ti.
Eu sempre doei para todos que pude, mas há aqueles raros para os quais doei até aquilo que não possuia. E percebi que essa é a verdadeira doação. É lindo o ato de dar algo que você tem – e geralmente não precisa – para quem não tem e está necessitando, mas não existe nada mais absoluto e essencial que a doação pura, coisa que só acontece quando desenvolvemos um amor incondicional. Na frente dessas pessoas eu fico nu, despido de mim e de todas as coisas, pois a mim nada pertence. Consigo olhar para meu ato e me ver, como sou de verdade, e não como aprendi a desenvolver e aceitar. Nessa doação nada é perecível.
Estou longe da perfeição, eu sei, mas também parei há um tempo de buscá-la. Acho que isso está fazendo eu vasculhar mais facilmente aqui dentro. Entender. Deixar de lado todos os sentimentos que me distanciam do meu eu verdadeiro. Estou reaprendendo, buscando nas pequenas coisas a sensibilidade que me faz viver e deixando de dar valor ao que não merece atenção. Está sendo um movimento de dentro para fora, me expondo completamente. E, por incrível que possa parecer, isso faz eu entender melhor as pessoas e suas atitudes falhas e tortas. Estou me reeducando a existir e a me sensibilizar ao máximo.
Vim para falar de mim e um pouco das lembranças que indicam quem sou. Sei que disse algumas vezes que não falaria de ti, mas na verdade, ao falar de mim eu já o faço, é inevitável. Não pelo que você é ou foi, ou pelo que construímos juntos, mas pelo que fui capaz de captar e que minha memória transformou em essência. E isso sou eu também. Você está aqui. Dentro. Para sempre. E se as lembranças são memórias e as memórias são saudades, você está presente em lugar privilegiado. Da mesma forma que o menino de cinco anos sofrendo pela perda e que trouxe de volta pedaços que me compõem.

Palavras apenas, palavras pequenas
janeiro 15, 2012Noite tranquila. Um bebê chora. Rapidamente notamos a luz acendendo e uma mulher com a aparência cansada pacientemente pegando uma criança no colo. O choro termina. O silêncio impera. Normalmente o silêncio indicaria que o bebê deixou o desejo de lado e tornou a dormir, mas ao invés disso, ele continua nos braços da mãe, sendo amamentado. Ambos se comunicando.
Não há palavras, mas há troca. Uma troca tão natural e sobre-humana que dificilmente paramos para entendê-la. O choro que ora cessou também era troca, assim como o suspirar da mãe ao niná-lo, cansada e paciente.
Nós nos comunicamos de várias formas, ininterruptamente. Porém, valorizamos apenas uma: a palavra. Considero a palavra o pior e mais utilizado instrumento da comunicação. Talvez por ser o mais fácil ou o mais óbvio. No entanto, possui caracterísricas como: hesitação, multisignificação, indefinição e expiração.
Dizem por aí que “uma imagem vale mais que mil palavras”. Provavelmente seja pela inconstância das palavras e a necessidade delas imoderadamente. Raramente conseguimos nos comunicar com um discurso curto e, mais raro ainda é entendermos seus diversos aspectos. Estamos sujeitos ao exagero de letras e sons em forma de fonética e regras.
Outra limitação diz respeito a sua natureza, que de tão minuciosa é quase palpável. Quase sempre a palavra está ligada ao pensamento, ou seja, à aptidão mental sobre as situações e as coisas em si, e também à emoção, ou melhor, àquilo que interpretamos ao ler, ouvir ou ver algo. Mas onde a palavra contempla o significado absoluto das coisas, que existe independente da estúpida retórica? Não há meio que sirva de melhor via para a comunicação do que nós mesmos. Precisamos deixar com que as coisas façam parte do que somos e não do que pensamos ou acreditamos ser, ou pior ainda, do que sujeitamos às normas impessoais e massivas.
Quantas vezes paramos para admirar algo e mesmo sem criar a expressão mental “que lindo” nós o achamos lindo? Quantas vezes nós choramos sem saber o porquê e nos emocionamos com um simples olhar? Quantas vezes intuimos coisas boas em alguém mesmo sem conhecê-lo e sem entender o propósito? Quantas vezes rimos sem querer e nos completamos com pouco? Quantas vezes paramos e só sentimos e mais nada?
Eu gosto do olhar ingênuo e primitivo do ser resistente. Gosto das dúvidas, das contradições usuais, da falta e do receio. Gosto também do tocar das almas que gera um entendimento pasmoso. Gosto do dia e da noite. Gosto das conquistas, mesmo sabendo que nada são. Gosto do requinte e do simples, juntos e isolados. Gosto do vazio e da relatividade. Gosto de pensar da mesma forma que gosto de sentir e de ser. Gosto de gostar até do que não compreendo e, nesses momentos, entendo minhas negações e incertezas. Isso me reconstrói. Sem palavras.
E mesmo sabendo que nada do que diga falará por mim, é através destas falhas eloquentes e falsas que me comunico e me torno minha própria objeção. Apresento minha troca implícita por meio deste texto trincado, ineficaz, incompleto, sem fim e sem sentido. Paradoxal como a vida, eis que através das mesmas palavras desvalorizadas, me transformo no meu próprio empecilho.

Minha exceção
janeiro 15, 2012Eu sei o que você quer de mim. E a recíproca é verdadeira.
No caminho ordinário, encontro marcas que são difíceis defrontar. As máscaras são pintadas, os acessórios meticulosamente pregados e o disfarce vestido, mas existe algo que não consigo esconder.
Um álbum de fotografias expõe o suposto segredo adormecido, mas não os negligencia. Da mesma forma, as fotos que o compõe – que são memória – trazem à superfície saudações do que fui, do que poderia ter sido e do que planejava ser. Mas nada disso fora de verdade Eu, senão Eu mesmo, um Eu metafórico e dissimulado, por ser Outro de mim. Outrora Outro, agora Eu. E se o Eu que era Outro e agora sou Eu pode ser mais um, por que não ser um Outro Eu, distinto, mas igual?
Meu passado foi meu presente quando não era nada, mas acredito no nada da mesma forma que creio no tudo. O que é o tudo sem o nada? Antes de ser tudo, tudo era nada. E como tudo foi nada, e nada é ausência, a sentença é não saber nada por sua verdade precedente. Uma verdade que pode ser o nada anterior ao tudo. Assim sendo, como poderemos saber a respeito das coisas ou das pessoas? Onde engasto as coisas que sei se nada sei?
O passado de ontem que era nada, mostra que hoje é presença, e esta é quase-tudo. O Outro que era Eu, agora é um Outro Eu, que junto com o quase-tudo – que não é nada e nem é tudo – é algo. Tendo isso em vista, passo a olhar também para a memória – que é sensação – e descubro que sei algo sobre você, mesmo que não seja tudo. São confidências guardadas junto com as fotos veladas e todo o fingimento.
Você é a minha exceção, o Outro Eu que faltava. Você é o nada que é tudo e o conforto de cada manhã. Você é a minha desilusão que surge toda vez que minha ilusão cessa. Você é o costume, o raro, o desfigurado. Você é o dissemelhante. Você é o segredo, o exigente, o perigoso.
Sua alma está exposta no meu álbum. E isso não podemos mudar. Talvez o Outro Eu possa, mas não o que me refiro. Por isso continuo vestindo a máscara, folheando a sensação – que é essência – e acreditando. Acreditando que se tudo é desconhecido – e esse tudo um dia foi nada – talvez o nada, que é ausência, se torne presença. Ou um resquício dela, que usarei para saber algo no meio de tanta falta.
Ainda que diga saber alguma coisa, a única certeza que terei é que continuaremos não sabendo a respeito de qualquer coisa. E isso é verdadeiro. Tão verdadeiro quanto o álbum, que é memória e é sensação e é essência; tão verdadeiro quanto as diferenças notadas e reveladas; tão verdadeiro quanto as aparências conservadas e as esperanças construídas; tão verdadeiro quanto a verdade de não saber verdades; e mais do que isso, tão verdadeiro quanto a própria recíproca quando ainda digo que sei o que você quer de mim.

Seres humanos (se-res-hu-ma-nos)
dezembro 14, 2011s.m.
Aquele que prefere desejo ao cultivo.
Cômodo. Preguiçoso. Insensível. Inerte.
Entidades de complexidade simples, portadores de escudos e fragilidade oculta. Geralmente enganam mais a si mesmo que aos outros, levando uma vida medíocre e sem sentido.
Seres de profunda ignorância, preferem fugir a encarar os fatos, alimentando o seu corpo de dor e passando a vida a sofrer por qualquer coisa.
Aquele que sente prazer em se torturar.
Falsos dominadores do universo e de suas vidas; racionalizadores de falsos conceitos.
Ostentadores de força imaginária e postiça. Dissimulados. Aquele que vela a fragilidade para evitar o sofrimento irreal – causado por ele mesmo e não pelos outros e pelas situações.
Quem é regido pelo Deus das Aparências e da Superficialidade e prega a instabilidade cotidiana – através de influência subliminar.
Todos aqueles que se contaminam pelas pressões externas e acreditam que fazer parte do Sistema o farão mais felizes.
Aquele que acredita mais no que gostaria de ser ao que realmente é.

Eu não valho 1 centavo
dezembro 8, 2011Sou um boneco de pano. Não fui feito com engenhocas, luzes piscando, movimentos ativados por botões. Sou apenas um velho boneco feito à mão, com uma complexidade triste e solitária. Estou na vitrine como os outros, com a única diferença de, dentre todos, ser o único invisível. Sou um ser de idiossincrasias não notadas.
Os outros bonecos em volta são bem vistos e isso me dá uma pontada de inveja. Me sinto um objeto estranho dentro de um relicário. Confesso que meu maior sonho sempre foi o de ser querido e reparado como eles. E se de alguma maneira o sou, todos tem vergonha de serem vistos ao meu lado. Nada me mata mais do que isso. Acho que só estou no mostruário porque me esqueceram lá…
Cada detalhe do meu corpo tem o suor e o amor de quem me fez. E estes foram tão grandiosos que acumulo afeição para compartilhar. Contudo, não há quem deseje tal caridade. Gostaria que notassem esse valor, mas não valho nem um centavo. Sou o estorvo, o estranho, o desigual. E passo as noites na vitrine apagada, sozinho e triste. Meus valores não cabem numa bolsa de moedas, por minha natureza disforme, mas estão dispostos em cada minúcia do que sou.
Já tive alguns donos, mas receio que nenhum deles me tiveram. Tenho medo que eles não guardem nem as minhas lembranças; dos bons e dos maus momentos. Eu lembro de cada um e de cada momento que fruimos um na companhia do outro. Lembro dos gestos, dos sorrisos, das lágrimas e da falta que me faziam quando estavam distantes. E que ainda fazem.
Como nada posso fazer, sofro em silêncio. E continuo na esperança de um dia existir. Enquanto isso, só me resta compreender e fazer o de sempre: fingir que sou querido e continuar paciente e confiante de que um dia reconheçam a minha importância.

O mito do desconhecido
dezembro 7, 2011Não há nada mais assustador que o desconhecido. Não sabemos como agir, ficamos confusos e acabamos recuando.
Não há nada mais intimidador que o desconhecido. Nos sentimos frágeis, submissos e por fim ficamos bloqueados.
Não há nada mais limitador que o desconhecido. Pensamos demais, agimos de menos e perdemos o caminho, andando na contramão.
Porém, não há nada mais necessário que o desconhecido. Se quisermos e tentarmos entendê-lo conseguiremos enxergar que ele não é nada mais que construção, renovação e evolução. Nós desconhecemos muito mais que conhecemos. O diferente não é ruim e não precisa ser temido, pelo contrário, pode ser a estrada que nos guia até a realização de nossos objetivos.
Não perca as oportunidades. Quebre seus paradigmas. Aprenda a se reconstruir. Atualize seu modo de viver e suas convicções, por mais controversa que possa parecer. Entenda qual é sua real segurança. Aventure-se (naquilo que te fará crescer).

Reflita-se
dezembro 6, 2011Sonhos são curiosos. Eu quase nunca tenho um sonho verossímil, mas se prestar bem atenção são todos reflexos do que sou e do momento que vivo. Tentamos levar ao “pé da letra”, mas quase nunca é, até os mais reais. É preciso ser muito habilidoso para entender de verdade a mensagem. O engraçado é que quanto mais fora da realidade aparente, mais eu consigo lembrar e entender.
Tive um sonho assim hoje.
Estava conversando sobre isso ontem. Sobre a linguagem não verbal, que é muito importante para sabermos nos comunicar com o mundo e conosco. Temos a mania de comunicar apenas com as palavras, e não procuramos as outras milhares de maneiras que temos para transmitir e receber algo.
Simplificamos tudo por preguiça ou medo de parecermos perdidos e ignorantes. E é isso que nos faz agir de maneira errada na maioria das vezes. Tem gente que por falar o que pensa acredita estar sendo o mais verdadeiro, mas será que essa pessoa já parou para refletir sobre o que de fato é e, consequentemente, sobre o que de fato pensa? Precisamos aprender a olhar para os pequenos vestígios, as entrelinhas, observar o nosso reflexo – nos outros e em nós mesmos.
Hoje, ao acordar, me olhei no espelho. Mas foi antes de acordar que pude ver meu reflexo.

Quando o sorriso morre
dezembro 4, 2011Passamos a vida nos estragando. Dia após dia. Criamos travas, cultivamos escudos e sabotamos tudo o que há de melhor na gente, achando que estamos agindo certo. Usamos nossa “bagagem” como desculpa, alegando conhecimento e sabedoria.
Sou um pouco obcecado pela natureza humana e sua complexidade e, achando que pudesse encontrar algumas respostas, comecei a observar as crianças pela rua, principalmente os bebês. Fico perdido na confusão de seus olhares, na pureza de seus sorrisos… E isso me faz pensar em que ponto que isso tudo para de existir… Quando deixamos de exprimir nossas verdades?
Não há nada no mundo que diga mais que um sorriso, um olhar, uma lágrima. E não há nada mais verdadeiro do que tudo isso proferido por uma criança. Tento buscar esse meu lado infantil diariamente, e é isso que me faz ser tão confiante que um dia conseguirei abolir todos os bloqueios e ser apenas Eu. Feliz, “puro” e “completo”.

Sob a noite
dezembro 1, 2011Deitado.
Olho para o céu escuro.
Respiro.
Sinto falta de ar.
Respiro novamente.
Abro bem os olhos.
Só vejo nuvens.
Penso.
Fecho os olhos.
Durmo.
Sonho.
Acordo assustado.
Penso.
Fecho os olhos.
Durmo.
Abro os olhos.
Choro.
Respiro.
Sinto falta de ar.
Respiro novamente.
Olho para o céu escuro.
Cai um pingo em meus olhos.
Respiro.
Fecho os olhos.
Penso.
Sinto falta de ar.
Sonho.
Só vejo nuvens.
Sinto falta de ar.
Abro bem os olhos.
Cai um pingo em meus olhos.
Céu desaba.
Olho para o céu escuro.
Sonho.
Acordo assustado.
Desejo.
Durmo.
Penso.
Lembro.
Sorrio.
Cai um pingo de meus olhos.
Sorrio.
Lembro.
Acordo assustado.
Sinto.
Olhos desabam.
Chuva cessa.
Só vejo nuvens.
Choro.
Sorrio.
Penso.
Sinto falta de ar.
Respiro.
Abro bem os olhos.
Durmo.
Sonho.
Acordo asustado.
Olho para o céu claro.
Sorrio.
Cai um pingo de meus olhos.
Espero.
Desejo.
Levanto.

Auto-legitimidade
dezembro 1, 2011Hoje ao acordar, conversei com Deus. Sentei aos seus pés e narrei toda minha vida. Contei também meus sonhos e minhas desilusões. Lembrei dos momentos felizes, das horas inconstantes e das dúvidas. Durante a conversa Deus nada falou, ficou à escuta, com seu olhar de ternura corriqueiro, mas prestava atenção, mesmo já sebendo todas as palavras proferidas. Me senti tão bem ao estar ali que finalmente me senti humano e protegido novamente. Deus pegou nas minhas mãos e disse ter orgulho de mim e das minhas escolhas. Olhou ao redor e me apontou as cores, as formas e me fez ouvir todos os sons que existem. Achei tudo incrível. Já tinha visto tudo aquilo, mas nunca tinha reparado sua beleza habitual. Ele me fez entender que tudo que existe tem uma importância singular e, por causa disso, devemos dar valor a tudo que está à nossa volta. Quando o sol começou a se pôr, respirei profundamente e pude sentir seu perfume. Não sei descrever o que parecia, mas era uma espécie de junção de todas as flores existentes. Encostei minha cabeça em seu colo e pude sentir seu cafuné. Desejei que aquele momento não acabasse. Quando fechei os olhos ele se foi. Subitamente. Nem consegui me despedir. Já estava achando que a presença de Deus não tinha passado de um belo sonho, quando percebo um papel em minhas mãos. Foi um bilhete deixado por Ele, que dizia: “A resposta para todas suas dúvidas está em você mesmo, pois é onde eu estarei quando precisar de mim”. Dobrei o papel com zelo e guardei no bolso da calça. Me ajeitei novamente, buscando uma posição confortável, dei um último suspiro aliviado, fechei os olhos e dormi. Em paz.

Smile…
novembro 28, 2011Depois de passar horas fruindo e me sensibilizando na exposição “Chaplin e sua imagem”, não posso deixar de postar a música composta por Charles Chaplin que resume TUDO.
SMILE
Smile, Though your heart is aching
Smile, even though it’s breaking,
When there are clouds in the sky -
You’ll get by,
If you smile
through your fear and sorrow,
Smile and maybe tomorrow
You’ll find that life is still worthwhile,
If you just..
Light up your face with gladness,
Hide every trace of sadness,
Altho’ a tear may be ever so near,
That’s the time you must keep on trying,
Smile – What’s the use of crying,
You’ll find that life is still worthwhile,
If you just smile.
Smile, Though your heart is aching
Smile, even though it’s breaking,
When there are clouds in the sky -
You’ll get by,
If you smile
through your fear and sorrow,
Smile and maybe tomorrow
You’ll find that life is still worthwhile,
If you just smile.
That’s the time you must keep on trying,
Smile – What’s the use of crying,
You’ll find that life is still worthwhile,
If you just smile.

Portal para casa
novembro 28, 2011Sempre que venho a São Paulo faço uma brincadeira: finjo que em algumas ruas homônimas às do Rio de Janeiro existem portais que me transportariam de um lugar ao outro em segundos. Semana passada estava passeando pela Haddock Lobo (em São Paulo) e por um breve instante achei que fosse cair na Conde de Bonfim (no Rio de Janeiro). Só reparei a confusão quando me dei conta de que estava andando pela Av. Paulista.
Talvez o que trouxe tal desconfiança tenha sido o sentimento de estar em casa.
Os portais foram a minha brincadeira de antigamente, até perceber que o divertimento de outrora não era tão fictício. Os portais existem, são símbolos do que vivo agora. Não é possível transferir o meu corpo, mas a minha alma foi trazida para cá. Sinto cada esquina, cada quarteirão, como um lugar conhecido e aconchegante.
Amo o Rio de Janeiro, mas o ritmo daqui tem mais a ver com o ritmo de vida que pretendo levar daqui para a frente. Esses pequenos atalhos apenas me direcionaram para o lugar onde devo permanecer e repousar. Pelo menos por enquanto. Até lá, continuarei vivendo ativamente e esperando a vida me mostrar novos atalhos e me transportar por novos caminhos.

Quando o amor vacila
novembro 19, 2011Eu sei que atrás desse universo de aparências,das diferenças todas, a esperança é preservada.
Nas xícaras sujas de ontem o café de cada manhã é servido.
Mas existe uma palavra que não suporto ouvir e dela não me conformo.
Eu acredito em tudo, mas quero você agora! Eu te amo pelas tuas faltas, pelo teu corpo marcado, pelas tuas cicatrizes, pelas tuas loucuras todas, minha vida.
Eu amo as tuas mãos, mesmo que por causa delas eu não saiba o que fazer das minhas.
Amo o teu jogo triste e as tuas roupas sujas é aqui em casa que eu lavo.
Eu amo a tua alegria mesmo fora de si, te amo pela tua essência e te amo até pelo que você podia ter sido, se a maré das circunstâncias não tivesse te rebanhado nas águas do equívoco.
Te amo nas horas infernais e na vida sem tempo…
Te amo pelas crianças e futuras rugas.
Te amo pelas tuas ilusões perdidas e teus sonhos inúteis…
Amo teu sistema de vida e morte, te amo pelas tuas entradas, saídas e bandeiras e te amo desde os teus pés até o que te escapa.
Te amo de alma para alma e mais que as palavras, ainda que seja através delas que eu me defendo quando digo que te amo mais que o silêncio dos momentos difíceis, quando o próprio amor vacila

Forasteiro
novembro 19, 2011Outrora eu era daqui, e hoje regresso estrangeiro,
Forasteiro do que vejo e ouço, velho de mim.
Já vi tudo, ainda o que nunca vi, nem o que nunca verei.
Eu reinei no que nunca fui.
(Texto de Fernando Pessoa)

Até logo…
novembro 18, 2011Prezado,
Não sei por onde começar..
Primeiro gostaria de dizer o quanto fico feliz por tê-lo tido perto de mim. Prezo muito a forma como você entrou na minha vida e mexeu com todas as minhas emoções. Agradeço por toda atenção e carinho despendido.
Você sabe que passei um momento perdido, sem rumo, e não teria conseguido encontrar o caminho se não fosse pela sua ajuda e seu conforto. Sou eternamente grato por isso.
Graças a isso tudo fui capaz de te conhecer, por fora e por dentro, vendo nesse aparente corpo de menino um homem com uma sensibilidade tão latente que me fez acreditar de novo nos seres humanos. E em tudo de bom que vem com eles. Sempre foi muito confortante sua influência em todas as minhas questões.
Obrigado por dividir seus medos e dúvidas, por fazer eu me sentir importante enquanto me encontrava solitário, por respeitar minhas confusões e, mesmo sabendo que não poderia me dar tudo, por me dar sempre tudo o que pôde. Não há nada mais emocionante que ter alguém desse tipo ao seu lado, em todas as horas, em todos os momentos. E em todas as desilusões.
Agradeço também pelos tempos perdidos, pelas noites aconchegantes, pela cumplicidade em todos os momentos. Não vou esquecer o sorriso, as brincadeiras, os momentos de prazer, as cantigas de ninar, as tardes-relâmpago e a maneira como todas as coisas existiam no plural.
Ainda ouço os sussurros do meu nome ao pé do ouvido.
Meu maior temor sempre foi perdê-lo, pois fiquei viciado na sua presença e na sensação que ela trazia. Eu quase pude senti-lo novamente. Mas foi nesse momento que você fugiu.. como pó carregado pelo vento, como fumaça se espalhando pelo ar, como água escorrendo por entre meus dedos.. E nada pude fazer.
Não sei nada sobre o seu paradeiro. Mas nunca serei capaz de esquecê-lo. Nem por um minuto, nem por um segundo. Ainda o vejo em meus sonhos, diariamente, e por isso reluto em acordar.
Hoje estou entrando em uma nova fase. Parei de procurar pelos rastros deixados, mas não deixarei de ter esperanças que consiga encontrar o caminho de volta. Deixei alguns sinais pela estrada para que possa, mesmo com a sua cegueira, voltar para casa. E quando voltar, estarei da mesma forma. Talvez um pouco mais cansado. Mas feliz. Porque sei que quando estiver de volta será para vivermos e revivermos a maior aventura de todas.
Sinto muito a sua falta!
Esta não é uma carta de adeus, e sim de até logo. Espero por sua volta.
P.S.: Sei que não conseguirá ler essa carta, mas espero que sinta que ela existe.
Com carinho,
Eu.

Tears in Heaven
novembro 18, 2011Tentando ser o melhor que poderia ser, eis que me sinto a pior pessoa do mundo. Essa contradição me faz pensar que talvez eu seja. Preciso de um tempo para me convencer que não, mesmo tendo minha consciência e coração tranquilos.

A alegria de ser feliz
novembro 17, 2011A gente agarra uma coisa que alivia nossa dor e fingimos que isso nos faz bem. Isso mesmo, enganamos a nós mesmos para evitar o sofrimento. Felicidade é outra coisa, não se iluda. Não devemos fugir do que somos e do que nos faz bem de verdade. A dor é inevitável e vai surgir mesmo nos melhores momentos. Só que nosso tempo é curto para compreender e enxergar isso tudo.
Tinha um amigo na minha primeira faculdade (Stanley) que uma vez escreveu um texto sobre a diferença entre alegria e felicidade. Eu achava perfeito, porque dizia justamente o que penso sobre o assunto. Era singelo e muito bonito. Não lembro as exatas palavras, obviamente, só a essência dele, que era mais ou menos o que direi a seguir:
“Quando sorrimos queremos ser felizes, mas não paramos para entender o real sentido da palavra e o que ela significa dentro de nós e de nossas vidas. Há os que riem o tempo todo e os que quase nunca riem. E temos a mania de tachar as pessoas pelo que vemos e não pelo que são. O pior é que não fazemos isso só com os outros, fazemos isso com nós mesmos: buscando uma fuga, um escape, um alívio e fingimos que cada risada faz parte do nosso ideal de vida.
Não há nada mais perecível que um sorriso de alegria. Nos alegramos facilmente, com tudo, com todos. E é saudável. Minha única questão quanto a isso é a maneira como compreendemos as situações e momentos em nossas vidas. Nós tentamos ser alegres na frente dos outros para não mostramos nossas fragilidades e não reconhecermos nossa confusão e insatisfação com o que estamos vivendo de verdade. É inconsciente. Contudo, isso tudo no futuro serão momentos esquecidos e nada significativos e, por isso, não é a isso que devemos nos apegar. Devemos construir o tempo todo, tentar amadurecer quem somos e trazer o prazer para nossas vidas de forma que nossa alma se alivie verdadeiramente. Alegria e felicidade não são a mesma coisa, nem no dicionário.
Alegria: s.f. Forte impressão de prazer causada pela posse de um bem real ou imaginário: pular de alegria. Júbilo, contentamento, gáudio. Tudo que alegra e contenta: os filhos são a alegria dos pais. Sucesso feliz. Festa, divertimento.
Felicidade: s.f. Estado de quem é feliz. Ventura. Bem-estar, contentamento. Bom resultado, bom êxito. F. eterna: bem-aventurança.
Eu quero ser um cara alegre, divertido, mas acima de tudo quero ser feliz. Quero conquistar e cultivar. Quero dar e receber. Quero amar e ser amado. Quero entender quem sou e o que significa tudo a minha volta. A alegria é aquilo que todos podem VER (e queremos que todos vejam), felicidade é aquilo que só nós podemos SENTIR. E é o que de fato é importante. Seja feliz e a alegria virá em alguns momentos como bônus. O contrário não é possível, é perda de tempo. Acreditem. Não quero olhar para trás e ver o que deixei passar. Olharei para frente e para o agora e verei o que posso fazer para me tornar uma pessoa melhor e mais feliz.”
Na história do meu amigo ele usava uma foca como personagem para transmitir esse contraponto alegria x felicidade. Na minha, eu sou o personagem.

Ser X Querer
novembro 7, 2011Eu não quero mais buscar prêmios, quero conquistas. Não quero mais ser rico, quero ser bem sucedido. Não quero mais dúvidas, quero certezas. Não quero mais travas e bloqueios, quero cumplicidade. Não quero mais o prazer instantâneo, quero o prazer pleno. Não quero ter muitos amigos que me entendam, quero ter um único que me compreenda. Não quero viver a paixão fulminante, quero conquistar o amor único, que tenha orgulho de mim pelo que sou, não pelo que as pessoas dizem como devo ser. Não quero ter uma casa, quero construir um lar. Não quero dividir, quero compartilhar. Não quero ter medos, quero ter apoio e segurança. Não quero mais inventar desculpas para minha imperfeição, quero assumí-la, aceitá-la e ser feliz. Lembrei que a única coisa que vai sobrar após minha morte é a minha alma, e é ela que devo cultivá-la.
O lance é que passamos a vida buscando completar nossos vazios, só que focamos no momentaneo e superficial por ser mais fácil de conseguir. Esquecemos de cultivar o que de fato temos. E quando perdemos sofremos e não entendemos o porquê. Sempre estamos prontos para tirar a culpa de nossas costas e atribuir a algo ou alguém. Deus não quer o mal de ninguém, ele tenta nos premiar o tempo todo, mas sempre estamos insatisfeitos. Conselho que dou: compreenda o que você “é” e não o que você “quer”. Assim você cultiva sua alma. Meu corpo já tem seu destino certo.

Meu paraíso astral
junho 7, 2011Sempre achei engraçado essa coisa de comemorar aniversário.. Você comemora o que, estar ficando velho?
Sou o tipo de pessoa que normalmente ignora qualquer tipo de comemoração coletiva, não ligo muito para isso. A ironia é que o aniversário é uma comemoração individual, mas de todas é a que mais mexe comigo. No geral de maneira negativa: me afasto das pessoas, sumo de todos os lugares que tenho o costume de frequentar…
Eis que, quase na véspera de entrar no ano de 2011, pela primeira vez eu consigo entender o que acontece. Ainda não compreendo o porquê, pois acho isso tudo muito pequeno, mas eu sinto. É difícil descrever a sensação, mas posso garantir que hoje é de muita felicidade. E fico grato por isso.
Fico agradecido por todos os momentos e por todas as pessoas que passaram na minha vida este ano e que preencheram um pouco mais a minha existência. O ano de 2010 foi muito bom para mim, mas não deixará saudade. Pelo contrário, me trará esperança de ter anos ainda melhores e assim trilhar o caminho que sempre sonhei e esperei…

A vida me ensinou…
maio 30, 2011A dizer adeus às pessoas que amo, sem tira-las do meu coração;
Sorrir às pessoas que não gostam de mim, para mostra-las que sou diferente do que elas pensam;
Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar;
Calar-me para ouvir;
Aprender com meus erros, afinal eu posso ser sempre melhor.
A lutar contra as injustiças;
Sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo;
A ser forte quando os que amo estão com problemas;
Ser carinhoso com todos que precisam do meu carinho;
Ouvir a todos que só precisam desabafar;
Amar aos que me machucam ou querem fazer de mim depósito de suas frustrações e desafetos;
Perdoar incondicionalmente, pois já precisei desse perdão;
Amar incondicionalmente, pois também preciso desse amor;
A alegrar a quem precisa;
A pedir perdão;
A sonhar acordado;
A acordar para a realidade (sempre que fosse necessário);
A aproveitar cada instante de felicidade;
A chorar de saudade sem vergonha de demonstrar;
Me ensinou a ter olhos para “ver e ouvir estrelas”, embora nem sempre consiga entendê-las;
A ver o encanto do pôr-do-sol;
A sentir a dor do adeus e do que se acaba, sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser;
A abrir minhas janelas para o amor;
A não temer o futuro;
Me ensinou e esta me ensinando a aproveitar o presente, como um presente que da vida recebi, e usá-lo como um diamante que eu mesma tenha que lapidar, lhe dando forma da maneira que eu escolher.
(Charles Chaplin)

Não sei ser humano
outubro 25, 2010Não sei sentir. Não sei ser humano. Não sei conviver de dentro da alma triste com os homens, meus irmãos na terra. Não sei ser útil, mesmo sentindo ser prático, cotidiano e nítido.
Vi todas as coisas e maravilhei-me de tudo, mas tudo sobrou ou foi pouco, não sei qual, e eu sofri.
Eu vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos, e fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.
Amei e odiei como toda gente. Mas para toda a gente isso foi normal e instintivo. Para mim sempre foi a exceção, o choque, a válvula, o espasmo.
Não sei se a vida é pouca ou demais para mim. Não sei se sinto demais ou de menos.
Seja como for, a vida de tão interessante que é a todos os momentos, a vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a sangrar, a roçar, a ranger, a dar vontade de dar pulos, de ficar no chão, de sair para fora de todas as casas, de todas as lógicas, de todas as sacadas. E ir ser selvagem, entre árvores e esquecimentos.
(“Passagem das Horas” – Álvaro de Campos)

Sobre todas as coisas
junho 25, 2010Hoje, diferente do habitual, resolvi postar uma linda poesia de Chico Buarque, a música “Sobre todas as coisas”. A escutei essa semana por um acaso e acho que ela tem muito a ver comigo e com meu momento. É uma das minhas músicas favoritas dele. Muito intensa e verdadeira. Diz mais do que qualquer palavra que pudesse querer escrever. Então aí vai:
Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado,
Desprezar quem lhe quer bem.
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus.
Ao Nosso Senhor
Pergunte se Ele produziu nas trevas o esplendor.
Se tudo foi criado – o macho, a fêmea, o bicho, a flor.
Criado pra adorar o Criador.
E se o Criador
Inventou a criatura por favor
Se do barro fez alguém com tanto amor
Para amar Nosso Senhor.
Não, Nosso Senhor
Não há de ter lançado em movimento terra e céu.
Estrelas percorrendo o firmamento em carrossel,
Pra circular em torno ao Criador.
Ou será que o deus
Que criou nosso desejo é tão cruel
Mostra os vales onde jorra o leite e o mel
E esses vales são de Deus.
Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado,
Desprezar quem lhe quer bem.
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus.

Minha coleção
junho 22, 2010Sempre gostei de colecionar. Cada objeto novo conquistado e colocado na prateleira era como um troféu. Toda vez que preenchia mais um espaço vazio, abria um novo para buscar novos objetos, novas conquistas. Nem que para isso tivesse que me desfazer dos mais antigos. Essa foi a minha brincadeira de menino. Inocente. Mas que hoje vejo refletir em quem eu sou.
Durante muitos anos vi as pessoas como objetos que faziam parte de minha coleção particular. Eu as conhecia, as admirava, as conquistava, enjoava delas e as colocava no alto da prateleira, onde meus olhos não enxergavam. Até o momento que as esquecia e deixavam de significar.
Eu sempre quis ter tudo e todos. Por capricho. É verdade que eu era um menino e não conhecia nada sobre a vida, mas se não tivesse abandonado tudo o que tinha, talvez hoje não me sentisse tão só.

O Mito do Substituível
maio 29, 2010Nós fomos criados no meio da sociedade do consumo. Todos pensam iguais. Todos agem iguais. Tudo porque nos foi dito que somos serem imperfeitos e, por isso, substituíveis. E aprendemos a ser assim. Como todo mundo. Pelo menos é assim que fomos obrigados a pensar.
Sempre quis ser igual a todos. Para tanto, precisava aprender a reproduzir tudo o que os outros esperavam de mim. Mas nunca consegui. Nada do que eu fazia ficava uma reprodução perfeita. Talvez porque tudo que fizesse – por mais parecido que pudesse ser do objeto copiado – vinha atribuido de um valor que só eu conseguia enxergar. E esse valor não era igual nas outras coisas.
Existem muitas coisas que se parecem com as outras, mas não existe nada que seja igual. Até mesmo numa cadeia produtiva, onde milhões de objetos são fabricados simultaneamente, há sempre o que diferencia um do outro. Há o milésimo de segundo empregado em cada uma das coisas, há a transpiração das máquinas – mesmo as humanas -, a inspiração inicial que desencadeia todo o processo, e a atribuição do valor por quem o consome. Assim como na arte.
Quando passei a pensar no sentido de todas as coisas tive dificuldade em entendê-las. Muitos passam a vida tentando ser seres únicos, fazendo de tudo para não serem reles cópias, mas jamais param para pensar como essa busca é inútil. Já nascemos seres legítimos.
Tive a sorte em entender isso bem cedo. Minha busca nunca foi tentar ser diferente dos outros, e sim mostrar parte do que sou e das coisas que me representam, mesmo que isso não agradasse a todos – às vezes a maioria . Só eu posso fazer o que faço, só eu sinto o que eu sinto, só eu penso o que eu penso. Este sou eu. E é como eu me mostro. Inquestionavelmente. Como um eterno artista tentando construir aquilo que sou verdadeiramente. E não há nada mais belo do que ser insubstituível.

Linha da Intimidade
abril 25, 2010Costumo dizer que existe uma linha da intimidade que é o termômetro para qualquer relação. Essa linha, quando ultrapassada, traz uma sensação de incômodo muito grande, como se a outra pessoa estivesse invadindo a sua privacidade. É como se tentassem tomar algo que é só seu. No meu caso isso até me traz uma certa irritação.
A linha da intimidade varia de pessoa para pessoa tendo como base 6 fatores principais: ambiente, tempo, contexto, humor, objetivo e objeto. É difícil calculá-la, pelas suas diversas variantes, mas é bem fácil entender o seu funcionamento. Este tem sido meu grande inimigo e meu grande amigo. E é o que me traz grande parte da minha confusão de agora.




























