Posts de janeiro \30\UTC 2012

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Because…

janeiro 30, 2012

Aaaaahhhhhhhhhh

Because the world is round it turns me on
Because the world is round. ..aaaaaahhhhhh

Because the wind is high it blows my mind
Because the wind is high. ….. aaaaaaaahhhh

Love is old , love is new
Love is all , love is you

Because the sky is blue , it makes me cry
Because the sky is blue…. …aaaaaaaahhhh

Aaaaahhhhhhhhhh ….

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Sobre a queda do menino

janeiro 29, 2012

Só consigo pensar no menino que sofre, com seu medo, dor e desesperança passageiras. Não paro de pensar no carinho desejado, nas lágrimas caídas e na fragilidade adquirida. Logo ele que parecia tão forte e alegre antes da queda, agora ele sofre como um ser feito de carne e osso débeis, como humano, que parece menino, mas é homem.

Pude sentir seu declínio quando, por segundos, ele – o menino – deixou de existir. Por mais que a tentação fosse grande ele não resistiu, continuou ali, vivo, como mais um pedaço de existência. E foi isso que me emocionou.

Fui até a janela, olhei para o quotidiano e observei a vida passar como habitual. Nada havia mudado, não haviam lágrimas oferecidas a parte de si. Por isso quase ninguém ouviu seu choro, mas acredito que seu berro soou como eco, preenchendo tudo que passava pela frente.

O mundo permaneceu girando. Em um canto um jovem faz panquecas; um outro rapaz assiste um filme romântico com sua namorada; tem até os que riam no bar ao lembrar das brincadeiras do dia. Nada havia se transformado no mundo, só no do menino, que eu reconhecia pela sua dor, verdadeira e primitiva.

Neste instante, compreendi que, ao contrário do que a maioria pensa, não é a capacidade de raciocinar que difere os seres humanos dos outros animais, mas o potencial de sentir em nível máximo e revelar verdades mascaradas até para si mesmo. Em outras palavras, a capacidade de ser humano. Nosso próprio nome já nos define.

O menino agora teve a chance de se ver natural, como veio e como vai. Ele chorou. Ele sofreu. E por isso eu recordei momentos dos homens e o reconheci. E eu chorei.

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Quando os minutos se calam

janeiro 28, 2012

Faltando um minuto para o dia a seguir, comecei a pensar no dia em que estava. Tentei repará-lo e senti-lo. Mas nada veio, a não ser o de sempre: silêncio – daqueles inquietantes. Fiquei tanto tempo pensando no dia em que estava que não reparei que não estava mais nele – só atentei ao observar o relógio e notar os quatro minutos excedentes. Ele se tornara outro subitamente, mas permanecia intacto como o dia que passou. Comecei a formar uma ideia do dia a seguir então, que, a essa altura, já era o dia em que estava.

(Re)comecei a me iludir. Criei um dia ideal, acrescentei um pouco de vontades e subtrai os temores. Passei vários minutos tentando formatar um pseudo dia perfeito para que, no final do dia, pudesse novamente refletir sobre o dia em que estava e me iludir com o dia a seguir. Minha rotina seguia um ciclo como os ponteiros do relógio.

Percebendo a confusão que formara, voltei a notar o dia em que estava e que iniciou há pouco – o relógio me dizia. Só que desta vez o que me chamou atenção foi a volta do silêncio inquietante. Observei que o silêncio a que me referia era acrescido de uma voz – quase um sussuro – e que não sabia a procedência. Olhei para um lado, para outro, e nada. A voz não parava de falar nem por um minuto e isso me deixava desassossegado. Momentaneamente senti um pouco de medo, achando que pudesse ser algo sobrenatural. Quando estava prestes a me desesperar, percebi que a voz sussurada vinha de mim. Era a voz de tudo aquilo que pensava. Meu pensamento ficou por minutos procurando a voz de si mesmo. Parei para pensar no silêncio, imediatamente. E quando o fiz continuei não o tendo por perto. Então parei de pensar.

(silêncio)

Quando a mente voltou a trabalhar, sua voz berrou: “Vamos voltar a pensar no dia a seguir?” e, automaticamente, comecei a pensar no dia em que estava. Só que desta vez raciocinei de uma maneira diferente. Parei de pensar sobre ele e tentei entender o que ele significava. Estava intrigado com o que acabara de observar. Olhei para o relógio e vi a hora marcando trinta e sete minutos de dia novo. Fiquei confuso por um minuto, até que o ponteiro completou mais uma volta e fez o relógio marcar novo horário. Nesse momento minha mente se iluminou, tentando se calar. Compreendi que não era o relógio que determinava o dia em que estava, pois ele – o dia – sempre existiu independente do tempo. Um novo clareamento surgiu e a voz quase emudeceu. O que há pouco tinha chamado de dia, entendi que não era nada mais que o meu Presente, o Agora sem o acréscimo das horas indicadas pelo falho instrumento.

(silêncio)

Agora sim pude sentir o meu dia. Abro um sorriso, aliviado, e vou me deitar sem precisar olhar para o relógio.

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Só um pensamento…

janeiro 28, 2012

O óbvio é sempre óbvio quando paramos para olhar para ele.

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Apenas um

janeiro 25, 2012

Eu era Outro. Será? Será que o Outro não fora Eu, porém não notado? O que faz o Eu e o Outro serem diferentes? Agora tenho certeza que sou Outro, da mesma forma que tenho certeza que sou Eu. Não há diferença. Talvez nas atitudes sim, mas não na causa de tudo, na energia que sempre me impulsionou. Nisso eu sempre fui Eu, mesmo tentando ser Outro.

Portanto, afirmo: sou da mesma forma o Eu e o Outro, apesar de parecerem opostos. Há alguma regra que diga que tenho que ser um e não todos ao mesmo tempo?

O que te encantou outrora foi o Outro, agora sou Eu. No entanto, o que você não parou para pensar é que somos o mesmo, nunca se esqueça disso! Eu tenho os dois; eu quero os dois; eu sou os dois. E quem diz isso às vezes é o Outro, às vezes Eu. Mas não importa… Só interessa mesmo o que é dito, aliás, o que é (sem o dito).

Não se engane outra vez ao comparar um ao outro, pois jamais seremos o mesmo e sempre seremos os dois. Não há escolha, só aceitação. Você que conheceu tão bem um e outro, ou melhor, o Outro e o Eu, deve saber mais do que qualquer um o Outro que fui e sou e o Eu que sempre serei. Somados. Compartilhados. Renovados.

Não há cartilha a seguir, não é necessário manual. Há só o que é (e não precisa ser dito), pois o é simplesmente é.

Eu não era Outro, continuo sendo. E o sou da mesma forma que o Eu, que sempre esteve lá, mas não havia sido notado. Sempre estivemos aqui, ambos, opostos sim, mas juntos. Pois somos apenas um. Eu.

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A falta que você me faz

janeiro 17, 2012

Volto a escrever, não para falar de ti, mas de mim.

Quero contar as lembranças dos tempos mais remotos e toda minha vida efêmera. Tenho memórias distantes, mas todas me parecem recentes. A proximidade delas não se deve ao fato em si – que muitas vezes mal consigo lembrar – , mas ao que as compunha e como até hoje consigo descrevê-las sensivelmente. Lembro dos exatos sentimentos exaltados, na mesma intensidade e importância. Posso revelar tudo o que significou para mim e para os que estiveram ligados ao que sou, ou fui. Até quando me refiro a ti, pois também sou capaz de traduzí-lo perfeitamente em essência, mas não vim para falar de ti.

Quando tinha quatro anos de idade eu e meu irmão ganhamos uma bicicleta de natal. Meu irmão é um ano mais velho que eu, logo ele tinha cinco. A dele era maior e vermelha e a minha azul. Cada um ganhou uma, ou era o que achávamos. O que a princípio pareceu ser um momento de muita alegria, dias após se tornou um dos fatos mais antigos e mais marcantes que presenciei na minha vida interna. Por uma confusão da minha avó materna, ela teve que devolver uma das bicicletas, e foi justamente a do meu irmão. Consigo recordar a exata expressão dele ao perder seu objeto querido. Lembro também de perguntar para a minha mãe porque não poderiam levar a minha ao invés de levarem a dele. Não sei qual foi a resposta, talvez tenham sido compradas em lugares diferentes, não sei. Era novo demais para entender o fato, mas maduro demais para absorver o momento. Acho que esse é o primeiro sentimento intenso a que me recordo: a dor do meu irmão.

A partir deste dia, resolvi que eu faria de tudo para que ele jamais sofresse a mesma coisa. Sempre que ganhávamos algo eu perguntava qual ele tinha gostado mais, pois assim evitaria sua decepção. Quando abria a geladeira e via que tinha apenas uma maçã, eu não comia, pensando que talvez ele pudesse querer. Isso revelou um pouco de como eu sou: um eterno doador.

Sou um cara sem muitas posses e acho que o acontecimento há cerca de 25 anos me fez compreender desde cedo que nada daquilo que achamos possuir são necessários ou possuímos de fato. Não tenho o mesmo apego que a maioria, pelo menos não no quesito material. Para mim o sorriso, a satisfação, a troca, o afeto, amor, tudo isso é tão belo e importante que faz o restante se reduzir a nada. Por que deveria perder tempo cultivando objetos que “nascem” fadados a extinguir-se, cedo ou tarde? Não me entendam errado, também adoro possuir, como todos, mas acima de tudo amo cultivar. Cultivar o sorriso de quem gostamos, os momentos inesquecíveis, o apoio e incentivo, a segurança e conforto. Da mesma forma que sempre fiz contigo, mas não vim para falar de ti.

Eu sempre doei para todos que pude, mas há aqueles raros para os quais doei até aquilo que não possuia. E percebi que essa é a verdadeira doação. É lindo o ato de dar algo que você tem – e geralmente não precisa – para quem não tem e está necessitando, mas não existe nada mais absoluto e essencial que a doação pura, coisa que só acontece quando desenvolvemos um amor incondicional. Na frente dessas pessoas eu fico nu, despido de mim e de todas as coisas, pois a mim nada pertence. Consigo olhar para meu ato e me ver, como sou de verdade, e não como aprendi a desenvolver e aceitar. Nessa doação nada é perecível.

Estou longe da perfeição, eu sei, mas também parei há um tempo de buscá-la. Acho que isso está fazendo eu vasculhar mais facilmente aqui dentro. Entender. Deixar de lado todos os sentimentos que me distanciam do meu eu verdadeiro. Estou reaprendendo, buscando nas pequenas coisas a sensibilidade que me faz viver e deixando de dar valor ao que não merece atenção. Está sendo um movimento de dentro para fora, me expondo completamente. E, por incrível que possa parecer, isso faz eu entender melhor as pessoas e suas atitudes falhas e tortas. Estou me reeducando a existir e a me sensibilizar ao máximo.

Vim para falar de mim e um pouco das lembranças que indicam quem sou. Sei que disse algumas vezes que não falaria de ti, mas na verdade, ao falar de mim eu já o faço, é inevitável. Não pelo que você é ou foi, ou pelo que construímos juntos, mas pelo que fui capaz de captar e que minha memória transformou em essência. E isso sou eu também. Você está aqui. Dentro. Para sempre. E se as lembranças são memórias e as memórias são saudades, você está presente em lugar privilegiado. Da mesma forma que o menino de cinco anos sofrendo pela perda e que trouxe de volta pedaços que me compõem.

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Palavras apenas, palavras pequenas

janeiro 15, 2012

Noite tranquila. Um bebê chora. Rapidamente notamos a luz acendendo e uma mulher com a aparência cansada pacientemente pegando uma criança no colo. O choro termina. O silêncio impera. Normalmente o silêncio indicaria que o bebê deixou o desejo de lado e tornou a dormir, mas ao invés disso, ele continua nos braços da mãe, sendo amamentado. Ambos se comunicando.

Não há palavras, mas há troca. Uma troca tão natural e sobre-humana que dificilmente paramos para entendê-la. O choro que ora cessou também era troca, assim como o suspirar da mãe ao niná-lo, cansada e paciente.

Nós nos comunicamos de várias formas, ininterruptamente. Porém, valorizamos apenas uma: a palavra. Considero a palavra o pior e mais utilizado instrumento da comunicação. Talvez por ser o mais fácil ou o mais óbvio. No entanto, possui caracterísricas como: hesitação, multisignificação, indefinição e expiração.

Dizem por aí que “uma imagem vale mais que mil palavras”. Provavelmente seja pela inconstância das palavras e a necessidade delas imoderadamente. Raramente conseguimos nos comunicar com um discurso curto e, mais raro ainda é entendermos seus diversos aspectos. Estamos sujeitos ao exagero de letras e sons em forma de fonética e regras.

Outra limitação diz respeito a sua natureza, que de tão minuciosa é quase palpável. Quase sempre a palavra está ligada ao pensamento, ou seja, à aptidão mental sobre as situações e as coisas em si, e também à emoção, ou melhor, àquilo que interpretamos ao ler, ouvir ou ver algo. Mas onde a palavra contempla o significado absoluto das coisas, que existe independente da estúpida retórica? Não há meio que sirva de melhor via para a comunicação do que nós mesmos. Precisamos deixar com que as coisas façam parte do que somos e não do que pensamos ou acreditamos ser, ou pior ainda, do que sujeitamos às normas impessoais e massivas.

Quantas vezes paramos para admirar algo e mesmo sem criar a expressão mental “que lindo” nós o achamos lindo? Quantas vezes nós choramos sem saber o porquê e nos emocionamos com um simples olhar? Quantas vezes intuimos coisas boas em alguém mesmo sem conhecê-lo e sem entender o propósito? Quantas vezes rimos sem querer e nos completamos com pouco? Quantas vezes paramos e só sentimos e mais nada?

Eu gosto do olhar ingênuo e primitivo do ser resistente. Gosto das dúvidas, das contradições usuais, da falta e do receio. Gosto também do tocar das almas que gera um entendimento pasmoso. Gosto do dia e da noite. Gosto das conquistas, mesmo sabendo que nada são. Gosto do requinte e do simples, juntos e isolados. Gosto do vazio e da relatividade. Gosto de pensar da mesma forma que gosto de sentir e de ser. Gosto de gostar até do que não compreendo e, nesses momentos, entendo minhas negações e incertezas. Isso me reconstrói. Sem palavras.

E mesmo sabendo que nada do que diga falará por mim, é através destas falhas eloquentes e falsas que me comunico e me torno minha própria objeção. Apresento minha troca implícita  por meio deste texto trincado, ineficaz,  incompleto, sem fim e sem sentido. Paradoxal como a vida, eis que através das mesmas palavras desvalorizadas, me transformo no meu próprio empecilho.

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Minha exceção

janeiro 15, 2012

Eu sei o que você quer de mim. E a recíproca é verdadeira.

No caminho ordinário, encontro marcas que são difíceis defrontar. As máscaras são pintadas, os acessórios meticulosamente pregados e o disfarce vestido, mas existe algo que não consigo esconder.

Um álbum de fotografias expõe o suposto segredo adormecido, mas não os negligencia. Da mesma forma, as fotos que o compõe – que são memória – trazem à superfície saudações do que fui, do que poderia ter sido e do que planejava ser. Mas nada disso fora de verdade Eu, senão Eu mesmo, um Eu metafórico e dissimulado, por ser Outro de mim. Outrora Outro, agora Eu. E se o Eu que era Outro e agora sou Eu pode ser mais um, por que não ser um Outro Eu, distinto, mas igual?

Meu passado foi meu presente quando não era nada, mas acredito no nada da mesma forma que creio no tudo. O que é o tudo sem o nada? Antes de ser tudo, tudo era nada. E como tudo foi nada, e nada é ausência, a sentença é não saber nada por sua verdade precedente. Uma verdade que pode ser o nada anterior ao tudo.  Assim sendo, como poderemos saber a respeito das coisas ou das pessoas? Onde engasto as coisas que sei se nada sei?

O passado de ontem que era nada, mostra que hoje é presença, e esta é quase-tudo. O Outro que era Eu, agora é um Outro Eu, que junto com o quase-tudo – que não é nada e nem é tudo – é algo. Tendo isso em vista, passo a olhar também para a memória – que é sensação – e descubro que sei algo sobre você, mesmo que não seja tudo. São confidências guardadas junto com as fotos veladas e todo o fingimento.

Você é a minha exceção, o Outro Eu que faltava. Você é o nada que é tudo e o conforto de cada manhã. Você é a minha desilusão que surge toda vez que minha ilusão cessa. Você é o costume, o raro, o desfigurado. Você é o dissemelhante. Você é o segredo, o exigente, o perigoso.

Sua alma está exposta no meu álbum. E isso não podemos mudar. Talvez o Outro Eu possa, mas não o que me refiro. Por isso continuo vestindo a máscara, folheando a sensação – que é essência – e acreditando. Acreditando que se tudo é desconhecido – e esse tudo um dia foi nada – talvez o nada, que é ausência, se torne presença. Ou um resquício dela, que usarei para saber algo no meio de tanta falta.

Ainda que diga saber alguma coisa, a única certeza que terei é que continuaremos não sabendo a respeito de qualquer coisa. E isso é verdadeiro. Tão verdadeiro quanto o álbum, que é memória e é sensação e é essência; tão verdadeiro quanto as diferenças notadas e reveladas; tão verdadeiro quanto as aparências conservadas e as esperanças construídas; tão verdadeiro quanto a verdade de não saber verdades; e mais do que isso, tão verdadeiro quanto a própria recíproca quando ainda digo que sei o que você quer de mim.