Posts de dezembro \14\UTC 2011

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Seres humanos (se-res-hu-ma-nos)

dezembro 14, 2011

s.m.

Aquele que prefere desejo ao cultivo.

Cômodo. Preguiçoso. Insensível. Inerte.

Entidades de complexidade simples, portadores de escudos e fragilidade oculta. Geralmente enganam mais a si mesmo que aos outros, levando uma vida medíocre e sem sentido.

Seres de profunda ignorância, preferem fugir a encarar os fatos, alimentando o seu corpo de dor e passando a vida a sofrer por qualquer coisa.

Aquele que sente prazer em se torturar.

Falsos dominadores do universo e de suas vidas; racionalizadores de falsos conceitos.

Ostentadores de força imaginária e postiça. Dissimulados. Aquele que vela a fragilidade para evitar o sofrimento irreal – causado por ele mesmo e não pelos outros e pelas situações.

Quem é regido pelo Deus das Aparências e da Superficialidade e prega a instabilidade cotidiana – através de influência subliminar.

Todos aqueles que se contaminam pelas pressões externas e acreditam que fazer parte do Sistema o farão mais felizes.

Aquele que acredita mais no que gostaria de ser ao que realmente é.

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Eu não valho 1 centavo

dezembro 8, 2011

Sou um boneco de pano. Não fui feito com engenhocas, luzes piscando, movimentos ativados por botões. Sou apenas um velho boneco feito à mão, com uma complexidade triste e solitária. Estou na vitrine como os outros, com a única diferença de, dentre todos, ser o único invisível. Sou um ser de idiossincrasias não notadas.

Os outros bonecos em volta são bem vistos e isso me dá uma pontada de inveja. Me sinto um objeto estranho dentro de um relicário. Confesso que meu maior sonho sempre foi o de ser querido e reparado como eles. E se de alguma maneira o sou, todos tem vergonha de serem vistos ao meu lado. Nada me mata mais do que isso. Acho que só estou no mostruário porque me esqueceram lá…

Cada detalhe do meu corpo tem o suor e o amor de quem me fez. E estes foram tão grandiosos que acumulo afeição para compartilhar. Contudo, não há quem deseje tal caridade. Gostaria que notassem esse valor, mas não valho nem um centavo. Sou o estorvo, o estranho, o desigual. E passo as noites na vitrine apagada, sozinho e triste. Meus valores não cabem numa bolsa de moedas, por minha natureza disforme, mas estão dispostos em cada minúcia do que sou.

Já tive alguns donos, mas receio que nenhum deles me tiveram. Tenho medo que eles não guardem nem as minhas lembranças; dos bons e dos maus momentos. Eu lembro de cada um e de cada momento que fruimos um na companhia do outro. Lembro dos gestos, dos sorrisos, das lágrimas e da falta que me faziam quando estavam distantes. E que ainda fazem.

Como nada posso fazer, sofro em silêncio. E continuo na esperança de um dia existir. Enquanto isso, só me resta compreender e fazer o de sempre: fingir que sou querido e continuar paciente e confiante de que um dia reconheçam a minha importância.

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O mito do desconhecido

dezembro 7, 2011

Não há nada mais assustador que o desconhecido. Não sabemos como agir, ficamos confusos e acabamos recuando.

Não há nada mais intimidador que o desconhecido. Nos sentimos frágeis, submissos e por fim ficamos bloqueados.

Não há nada mais limitador que o desconhecido. Pensamos demais, agimos de menos e perdemos o caminho, andando na contramão.

Porém, não há nada mais necessário que o desconhecido. Se quisermos e tentarmos entendê-lo conseguiremos enxergar que ele não é nada mais que construção, renovação e evolução. Nós desconhecemos muito mais que conhecemos. O diferente não é ruim e não precisa ser temido, pelo contrário, pode ser a estrada que nos guia até a realização de nossos objetivos.

Não perca as oportunidades. Quebre seus paradigmas. Aprenda a se reconstruir. Atualize seu modo de viver e suas convicções, por mais controversa que possa parecer. Entenda qual é sua real segurança. Aventure-se (naquilo que te fará crescer).

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Reflita-se

dezembro 6, 2011

Sonhos são curiosos. Eu quase nunca tenho um sonho verossímil, mas se prestar bem atenção são todos reflexos do que sou e do momento que vivo. Tentamos levar ao “pé da letra”, mas quase nunca é, até os mais reais. É preciso ser muito habilidoso para entender de verdade a mensagem. O engraçado é que quanto mais fora da realidade aparente, mais eu consigo lembrar e entender.

Tive um sonho assim hoje.

Estava conversando sobre isso ontem. Sobre a linguagem não verbal, que é muito importante para sabermos nos comunicar com o mundo e conosco. Temos a mania de comunicar apenas com as palavras, e não procuramos as outras milhares de maneiras que temos para transmitir e receber algo.

Simplificamos tudo por preguiça ou medo de parecermos perdidos e ignorantes. E é isso que nos faz agir de maneira errada na maioria das vezes. Tem gente que por falar o que pensa acredita estar sendo o mais verdadeiro, mas será que essa pessoa já parou para refletir sobre o que de fato é e, consequentemente, sobre o que de fato pensa? Precisamos aprender a olhar para os pequenos vestígios, as entrelinhas, observar o nosso reflexo – nos outros e em nós mesmos.

Hoje, ao acordar, me olhei no espelho. Mas foi antes de acordar que pude ver meu reflexo.

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Quando o sorriso morre

dezembro 4, 2011

Passamos a vida nos estragando. Dia após dia. Criamos travas, cultivamos escudos e sabotamos tudo o que há de melhor na gente, achando que estamos agindo certo. Usamos nossa “bagagem” como desculpa, alegando conhecimento e sabedoria.

Sou um pouco obcecado pela natureza humana e sua complexidade e, achando que pudesse encontrar algumas respostas, comecei a observar as crianças pela rua, principalmente os bebês. Fico perdido na confusão de seus olhares, na pureza de seus sorrisos… E isso me faz pensar em que ponto que isso tudo para de existir… Quando deixamos de exprimir nossas verdades?

Não há nada no mundo que diga mais que um sorriso, um olhar, uma lágrima. E não há nada mais verdadeiro do que tudo isso proferido por uma criança. Tento buscar esse meu lado infantil diariamente, e é isso que me faz ser tão confiante que um dia conseguirei abolir todos os bloqueios e ser apenas Eu. Feliz, “puro” e “completo”.

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Sob a noite

dezembro 1, 2011

Deitado.

Olho para o céu escuro.

Respiro.

Sinto falta de ar.

Respiro novamente.

Abro bem os olhos.

Só vejo nuvens.

Penso.

Fecho os olhos.

Durmo.

Sonho.

Acordo assustado.

Penso.

Fecho os olhos.

Durmo.

Abro os olhos.

Choro.

Respiro.

Sinto falta de ar.

Respiro novamente.

Olho para o céu escuro.

Cai um pingo em meus olhos.

Respiro.

Fecho os olhos.

Penso.

Sinto falta de ar.

Sonho.

Só vejo nuvens.

Sinto falta de ar.

Abro bem os olhos.

Cai um pingo em meus olhos.

Céu desaba.

Olho para o céu escuro.

Sonho.

Acordo assustado.

Desejo.

Durmo.

Penso.

Lembro.

Sorrio.

Cai um pingo de meus olhos.

Sorrio.

Lembro.

Acordo assustado.

Sinto.

Olhos desabam.

Chuva cessa.

Só vejo nuvens.

Choro.

Sorrio.

Penso.

Sinto falta de ar.

Respiro.

Abro bem os olhos.

Durmo.

Sonho.

Acordo asustado.

Olho para o céu claro.

Sorrio.

Cai um pingo de meus olhos.

Espero.

Desejo.

Levanto.

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Auto-legitimidade

dezembro 1, 2011

Hoje ao acordar, conversei com Deus. Sentei aos seus pés e narrei toda minha vida. Contei também meus sonhos e minhas desilusões. Lembrei dos momentos felizes, das horas inconstantes e das dúvidas. Durante a conversa Deus nada falou, ficou à escuta, com seu olhar de ternura corriqueiro, mas prestava atenção, mesmo já sebendo todas as palavras proferidas. Me senti tão bem ao estar ali que finalmente me senti humano e protegido novamente. Deus pegou nas minhas mãos e disse ter orgulho de mim e das minhas escolhas. Olhou ao redor e me apontou as cores, as formas e me fez ouvir todos os sons que existem. Achei tudo incrível. Já tinha visto tudo aquilo, mas nunca tinha reparado sua beleza habitual. Ele me fez entender que tudo que existe tem uma importância singular e, por causa disso, devemos dar valor a tudo que está à nossa volta. Quando o sol começou a se pôr, respirei profundamente e pude sentir seu perfume. Não sei descrever o que parecia, mas era uma espécie de junção de todas as flores existentes. Encostei minha cabeça em seu colo e pude sentir seu cafuné. Desejei que aquele momento não acabasse. Quando fechei os olhos ele se foi. Subitamente. Nem consegui me despedir. Já estava achando que a presença de Deus não tinha passado de um belo sonho, quando percebo um papel em minhas mãos. Foi um bilhete deixado por Ele, que dizia: “A resposta para todas suas dúvidas está em você mesmo, pois é onde eu estarei quando precisar de mim”. Dobrei o papel com zelo e guardei no bolso da calça. Me ajeitei novamente, buscando uma posição confortável, dei um último suspiro aliviado, fechei os olhos e dormi. Em paz.