
Eu, robô
Março 29, 2009
Tenho medo de não ser humano. Ou de não parecer um. Às vezes parece que vivo numa grande fábrica onde a cada segundo são fabricados novos seres humanos. Receio andar em uma estrada e acabar me vendo em uma grande esteira. Para onde estou indo? Onde vou chegar? E quem são esses humanos-robôs? Temo fazer parte disso, e deixar de ser uma máquina de carne e osso.
Tempos modernos. Todos veneram as máquinas, menos eu. Até as admiro pela forma, mas sinto pena por elas não poderem sentir. E é essa sensibilidade que nos distancia e, ao mesmo tempo, nos aproxima. Não sou nada sem eles e faço tudo por eles, mas nem sempre sou capaz de entendê-los.
Só espero que não descubram que sou uma fraude, pois por trás do corpo de lata e dos órgãos ocos há uma outra vida que flui, que bomba. Enquanto isso, pretendo estar entre eles, como um qualquer. Sem esquecer quem sou, nem para que fui fabricado. Este sim é o verdadeiro sentido da vida e da minha existência. Não sigo manual de instruções.