Meu corpo está estendido no chão. E distendido. E arrependido de ter deitado – mesmo não sendo espontâneo. Suspiro. Levanto de uma vez só. Sento. Deito novamente. Não tenho forças. Eu tinha, e eu sabia disso. Eu e o moço que me derrubou no chão. Não lembro o motivo da queda, mas suspeito que seja por algo que tenha feito. O que fiz? Por que fiz? Não sei responder. Tentei procurar as respostas enquanto meu corpo se matinha estirado, mas a única coisa que consegui concretizar foi que nada sei, ou melhor, nunca soube. De nada. Nem de mim mesmo. Gostava de quando estava em pé, gostava muito, até o moço provocar a queda. E que queda! Não tem problema… sei que ainda vou conseguir levantar de novo. Mas o estrago foi grande. É engraçado eu não lembrar da queda, porém, mais engraçado ainda é não lembrar o porquê. Eu já havia visto aquele moço antes, eu sei disso. Mas onde? Não sei. Não o reconheço agora. Talvez seja uma vaga lembrança de alguém que conheci, ou de alguém que jamais conhecerei. Continuo deitado. Pálido, quase inconsciente. Está na hora de dormir. Agora. É só fechar os olhos, muito fácil, já estou preparado para o sono. Hibernarei. Até o momento do fim do pesadelo, do fim da queda. Provavelmente estarei melhor ao acordar. E se não conseguir mais levantar, voltarei a fechar os olhos e repousar, até o momento em que a dor cesse e eu possa catar os restos jogados ao chão e novamente ficar de pé.
