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Ponto Final

Dezembro 18, 2007

Lápis

Ontem pensei em dar um ponto final. Um ponto final na minha história, um ponto final na minha vida. Mas tudo me pareceu tão frágil. O lápis com o qual tentava pontuar não tinha mais ponta e a borracha que sempre apagava aquele pequeno ponto incerto já se fazia em pó. Um dia me disseram que o melhor era pontuar a caneta, mas qual seria a vantagem de pontuar e não poder sequer consertar aquele sinal minucioso? Eu já dei muitos pontos, de várias formas, mas sempre no mesmo lugar, e se me fosse tido o direito de escolher, diria que o melhor sempre estaria por vir. E mesmo assim não me dei o direito de escolhê-lo.

Hoje eu dei mais um ponto final. Um ponto final na minha história, um ponto final na minha vida. Mas tudo me pareceu tão falso. Porque o ponto que dei não era um ponto, e sim uma virgula. Toda vez que encostava o lápis no papel ele escapava e formava um risco sobressalente. Era minúsculo o erro, mas não era como havia de ser o ponto. Queria um ponto perfeito, um ponto exato. Por isso catei todo o farelo de borracha que ainda restava e experimentei mais uma vez apagar o ponto (ou a vírgula) que se formara, tentando com todo cuidado conter o borrão que pudesse aparecer. Eis que volto para onde acabara de sair: o papel em branco, pronto para mais uma tentativa, mais um ponto.

Amanhã vou tentar mais uma vez dar o ponto final. Um ponto final na minha história, um ponto final na minha vida. Mas tudo me parece tão vago. Enquanto eu espero o falado ponto, o ponto perfeito, paro e penso que talvez o erro não esteja no ponto em si, mas sim no próprio papel o qual escrevo, seja pelas marcas deixadas nele ou pela sua importância contida e registrada. Pensei em rasgar este pedaço de papel e esquecer do ponto final, até perceber que essa não era a saída, pois o ponto continuaria inacabado e imperfeito. Decidi então guardá-lo em uma gaveta e deixá-lo por lá, e junto com ele colocaria um pedaço de lápis, já em cotoco, e a borracha esfarelada, para que a cada momento em que abrisse a gaveta, tivesse mais uma tentativa. A tentativa do ponto perfeito, do ponto final.