Se há uma coisa insuportável de se ver, esta coisa é TV de sinal aberto. A começar por suas novelas. Entra uma, sai outra, e é sempre a mesma repetição estúpida: a mocinha que sofre de amor, o mocinho injustiçado que é forçado a se separar de seu objeto amado, o vilão impune que só recebe seu castigo no último capítulo, personagens sem propósito que só servem para “encher lingüiça” e ocupar mais tempo no ar. Um enredo simples com personagens banais – salvo algumas poucas exceções- onde, na maioria das vezes, até os nomes são os mesmos.
Não existe espaço para a criatividade e inovação. Muito disso se deve a um esvaziamento do público, uma rejeição a novos formatos. Quando os autores tentam renovar, a ousadia se reflete em uma considerável queda de audiência e logo são obrigados a voltar à forma antiga. Por isso não vemos as emissoras arriscarem muito, e por isso também, mesmo mudando de canal, nos deparamos com programas absolutamente semelhantes. Não há o mínimo de variedade na programação de TV aberta. E isso não diz respeito apenas ao gênero novelístico, mas a todo e qualquer programa das estações transmissoras.
Obviamente o espectador tem grande culpa nisso, já que a programação é projetada segundo o que ele quer ver. Todos sabemos que a audiência é que faz a televisão funcionar. Sem público, há um menor interesse de investidor – no caso a publicidade -, o que pode levar a emissora à ruína. Definitivamente é algo de onde não se pode escapar, infelizmente.
Opondo-se a esta lógica -em partes, pelo menos -, está outro segmento de mercado: a TV de sinal codificado. Apesar de nos dias de hoje elas também se apoiarem na propaganda, sua base financeira é obtida através de assinatura. Isso contribui para: melhor elaboração estrutural; maior variedade, de conteúdo e de canais oferecidos – hoje em dia passando da casa dos 100-; e por conseguinte, uma maior identificação com esse tipo de espectador. O público deste segmento apresenta uma rigidez maior quanto ao que lhe é oferecido, porém, por vezes, se apresenta inflexível a mudanças. A exemplo disso, vemos que um número grande de pessoas que possuem TV por assinatura assistem constantemente a TV aberta.
Não é a intelectualidade que está em questão, mas sim como se dá esta recepção, ou melhor, como o espectador, independente de seu grau de instrução, se satisfaz ao ver televisão. Parece que estes gozam em não ter que pensar em frente a TV; é uma fuga do dia-a-dia cansativo e das situações do cotidiano. A televisão passa a ser um mero e simples canal de entretenimento, diversão. Paro para pensar se haverá um dia em que ela deixará de ser distração, passatempo, e se tornará arte. Logo em seguida, instantaneamente, me vem a resposta: impossível. Acho que a TV está bem distante deste conceito. A princípio espero apenas que, pelo menos, ela consiga ser vista também por seu conteúdo, e que se torne mais uma forma de aprendizado e formação cultural, o que já é um desejo bastante pretensioso.




