Posts de Setembro, 2007

h1

Palavras em branco

Setembro 17, 2007

“Penso, logo existo”, disse René Descartes. Porém, nem todos os pensamentos podem ser materializados. Hoje, a sensação que tenho é a de que não sei escrever, nem falar. Entretanto, continuo pensando, deixando-me levar pelas imagens da minha mente. São muitas, não consigo contá-las. E se pudesse descrevê-las diria que nada representam, não tem formas, nem conteúdo. Apenas existem. Como eu. Como tudo. Nessas poucas linhas digo coisas que nada querem dizer, portanto, o melhor é considerar este espaço inexistente, de palavras em branco. Mas lembrem-se que estou aqui por trás deste texto implícito, pois por mais transparente que possa parecer, eu ainda não deixei de existir. Continuo existindo e pensando.

h1

Filé de Peixe

Setembro 2, 2007

pg.jpg

Não entendo como alguns canais passam filmes com intervalo comercial. Sim, eu sei que a publicidade sustenta a tv, mas será necessário tantas interrupções? Acho difícil ver um filme pela televisão, ainda mais se ainda não o tiver visto. Hoje – como de costume aos fins de semana -, enquanto zapeava em busca de algo decente para se ver, parei no canal People & Arts que exibia Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas (Big Fish, no original). Já o havia assistido muitas vezes – por sinal o tenho em DVD -, mas conduzido pelo profundo apreço que tenho pelo filme, resolvi vê-lo novamente. Não bastasse o filme ser dublado – se não fosse pela preguiça que me tomava e pela falta de opção nos quase 100 canais a minha disposoção, jamais pararia para ver um filme sem seu idioma original -, a cada 15 minutos ele era abruptamente interrompido. Mesmo assim fui até o fim.

Big Fish é para mim o melhor filme do Tim Burton, e mesmo que alguns me recriminem por tal citação, também posso dizer que pertence a minha lista de favoritos. Lembro de quando o vi no cinema. Me recordo também do que senti ao vê-lo, foi um daqueles filmes em que me sensibilizei bastante. Apesar do final emocionante, é a cena em que Albert Finney (Ed Bloom) e Jessica Lange (Sandra Bloom) estão imersos em uma banheira que é um “soco no estômago”. De tão bela. De tão rica. Numa história em que realidade e ficção se misturam, não há cena que passe um sentimento mais real. É engraçado como às vezes uma curta e simples seqüência pode te trazer tanto conhecimento de um filme. Pelo menos é a sensação que tenho. Ed fala o tempo todo do amor que sente por Sandra, através de suas incríveis histórias, e é nessa hora que temos a certeza disso. A cena, além de tudo, prepara o desfecho – igualmente lindo. Ed é o próprio peixe grande. Lógico que não é só isso, mas por enquanto basta.

Gosto dos filmes que me tocam. E não digo isso pelo seu teor sentimental, mas pelo seu caráter catártico. Não existe mentira que não seu torne verdade quando isso acontece. Junto a isso, obviamente, deve-se ter uma história consistente e de conteúdo. Mergulhar neste universo mágico é uma das coisas que me fazem melhor. Mas não depende só de nós. Acho que é por isso que sou tão apaixonado por cinema. Sinto vontade de causar esse tipo de sentimento nas pessoas. Fazer pensar, rir, chorar. Conseguir prender a atenção de quem for assistir a um filme feito por mim. A propaganda de intervalo é um dos grandes obstáculos para isso. Como prender a atenção de um público a quem tentam tirá-la? E se não fosse suficiente, os cortes são nas piores regiões possíveis. No caso do Big Fish, houve inclusive um corte no meio da cena em que Billy Crudup (Will Bloom), que interpreta o filho de Ed, conta a história da morte do pai a ele. Um assassinato a obra de Tim Burton. O filme que assisti na televisão parecia mais um “filé” de Peixe Grande.