Posts de Agosto, 2007

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Chuta a porta

Agosto 25, 2007

Zé no trabalho, diante do computador. Seu chefe entra na sala e coloca diante dele uma pilha de papéis.

CHEFE – Zé, eu preciso disso pronto ainda hoje

ZÉ – Hoje? Mas eu tenho que buscar minha filha na…

CHEFE – Ah, Zé… a respeito daquele arquivo que eu pedi anteriormente…

ZÉ – … é como eu te falei, o arquivo é criptografado, chefe. Eu não posso invadir o sistema… quer dizer, eu até poderia invadir o sistema, mas é incorreto…

CHEFE – Quebra o código, Zé. Ainda hoje, hein?

ZÉ – Certo, certo / Só preciso de um tempo certo / Encontrar o documento certo / Antes do tempo acabar

Liga a tela / Mas não deixa abrir outra janela / Não esquece a senha “Barbarella” / Salva tudo no final

Entra um faxineiro

FAXINEIRO – Com licença, por favor? Posso limpar aqui pra me adiantar meu lado aqui? PelamordeDeus, eu tenho que adiantar o meu lado aqui… já passou da minha hora…

ZÉ – É… fazer o quê, né…

FAXINEIRO – Porta, porta / Abre a porta, arrisca a porta certa / Rasga a porta, arranha a porta, aperta / Quebra tudo no final

Um colega de trabalho invade a sala

COLEGA – Ai, Zé! Chopinho às seis ali no Luiz, hein?

ZÉ – Acho que não vai dar não…

COLEGA – Ah, colé, meu irmão, não vem com essa história! Tú é o maior furão, não quero saber! Que foi? Separou da mulher e vai viver numa caverna agora? Pára com isso, cara! Ó, tamo te esperando lá.

Força a porta / Deixa a porca dessa porta frouxa / Chuta a porta, berra alto / Pra alguém, de repente te ajudar

Ah Zé, o chefe tá puto contigo…

CHEFE – Tranca a porta / Guarda a chave e não se lembra o lugar / Dessa vez não vai dar tempo, ninguém / Vem correndo te ajudar

(ZÉ e depois o CHEFE, o FAXINEIRO e o COLEGA)

Frisa, gela / Deixa a febre desse corpo sair / O olho mágico da porta te viu / Dessa vez vai te engolir

Vem cá, Zeca / Bota a mão na maçaneta, Zeca / Vem pra porta, ganha tempo, Zeca / Logo, logo vai passar

Anda, Zeca / Pensa em alguma coisa, Zeca / Vê se inventa uma desculpa e foge / Que é pra nunca mais voltar

ZÉ – Ninguém pode obrigar ninguém a ser o que não é…

(“Zé com a mão na porta” , OBARRA)