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Quando os minutos se calam

janeiro 28, 2012

Faltando um minuto para o dia a seguir, comecei a pensar no dia em que estava. Tentei repará-lo e senti-lo. Mas nada veio, a não ser o de sempre: silêncio – daqueles inquietantes. Fiquei tanto tempo pensando no dia em que estava que não reparei que não estava mais nele – só atentei ao observar o relógio e notar os quatro minutos excedentes. Ele se tornara outro subitamente, mas permanecia intacto como o dia que passou. Comecei a formar uma ideia do dia a seguir então, que, a essa altura, já era o dia em que estava.

(Re)comecei a me iludir. Criei um dia ideal, acrescentei um pouco de vontades e subtrai os temores. Passei vários minutos tentando formatar um pseudo dia perfeito para que, no final do dia, pudesse novamente refletir sobre o dia em que estava e me iludir com o dia a seguir. Minha rotina seguia um ciclo como os ponteiros do relógio.

Percebendo a confusão que formara, voltei a notar o dia em que estava e que iniciou há pouco – o relógio me dizia. Só que desta vez o que me chamou atenção foi a volta do silêncio inquietante. Observei que o silêncio a que me referia era acrescido de uma voz – quase um sussuro – e que não sabia a procedência. Olhei para um lado, para outro, e nada. A voz não parava de falar nem por um minuto e isso me deixava desassossegado. Momentaneamente senti um pouco de medo, achando que pudesse ser algo sobrenatural. Quando estava prestes a me desesperar, percebi que a voz sussurada vinha de mim. Era a voz de tudo aquilo que pensava. Meu pensamento ficou por minutos procurando a voz de si mesmo. Parei para pensar no silêncio, imediatamente. E quando o fiz continuei não o tendo por perto. Então parei de pensar.

(silêncio)

Quando a mente voltou a trabalhar, sua voz berrou: “Vamos voltar a pensar no dia a seguir?” e, automaticamente, comecei a pensar no dia em que estava. Só que desta vez raciocinei de uma maneira diferente. Parei de pensar sobre ele e tentei entender o que ele significava. Estava intrigado com o que acabara de observar. Olhei para o relógio e vi a hora marcando trinta e sete minutos de dia novo. Fiquei confuso por um minuto, até que o ponteiro completou mais uma volta e fez o relógio marcar novo horário. Nesse momento minha mente se iluminou, tentando se calar. Compreendi que não era o relógio que determinava o dia em que estava, pois ele – o dia – sempre existiu independente do tempo. Um novo clareamento surgiu e a voz quase emudeceu. O que há pouco tinha chamado de dia, entendi que não era nada mais que o meu Presente, o Agora sem o acréscimo das horas indicadas pelo falho instrumento.

(silêncio)

Agora sim pude sentir o meu dia. Abro um sorriso, aliviado, e vou me deitar sem precisar olhar para o relógio.

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Só um pensamento…

janeiro 28, 2012

O óbvio é sempre óbvio quando paramos para olhar para ele.

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Apenas um

janeiro 25, 2012

Eu era Outro. Será? Será que o Outro não fora Eu, porém não notado? O que faz o Eu e o Outro serem diferentes? Agora tenho certeza que sou Outro, da mesma forma que tenho certeza que sou Eu. Não há diferença. Talvez nas atitudes sim, mas não na causa de tudo, na energia que sempre me impulsionou. Nisso eu sempre fui Eu, mesmo tentando ser Outro.

Portanto, afirmo: sou da mesma forma o Eu e o Outro, apesar de parecerem opostos. Há alguma regra que diga que tenho que ser um e não todos ao mesmo tempo?

O que te encantou outrora foi o Outro, agora sou Eu. No entanto, o que você não parou para pensar é que somos o mesmo, nunca se esqueça disso! Eu tenho os dois; eu quero os dois; eu sou os dois. E quem diz isso às vezes é o Outro, às vezes Eu. Mas não importa… Só interessa mesmo o que é dito, aliás, o que é (sem o dito).

Não se engane outra vez ao comparar um ao outro, pois jamais seremos o mesmo e sempre seremos os dois. Não há escolha, só aceitação. Você que conheceu tão bem um e outro, ou melhor, o Outro e o Eu, deve saber mais do que qualquer um o Outro que fui e sou e o Eu que sempre serei. Somados. Compartilhados. Renovados.

Não há cartilha a seguir, não é necessário manual. Há só o que é (e não precisa ser dito), pois o é simplesmente é.

Eu não era Outro, continuo sendo. E o sou da mesma forma que o Eu, que sempre esteve lá, mas não havia sido notado. Sempre estivemos aqui, ambos, opostos sim, mas juntos. Pois somos apenas um. Eu.

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A falta que você me faz

janeiro 17, 2012

Volto a escrever, não para falar de ti, mas de mim.

Quero contar as lembranças dos tempos mais remotos e toda minha vida efêmera. Tenho memórias distantes, mas todas me parecem recentes. A proximidade delas não se deve ao fato em si – que muitas vezes mal consigo lembrar – , mas ao que as compunha e como até hoje consigo descrevê-las sensivelmente. Lembro dos exatos sentimentos exaltados, na mesma intensidade e importância. Posso revelar tudo o que significou para mim e para os que estiveram ligados ao que sou, ou fui. Até quando me refiro a ti, pois também sou capaz de traduzí-lo perfeitamente em essência, mas não vim para falar de ti.

Quando tinha quatro anos de idade eu e meu irmão ganhamos uma bicicleta de natal. Meu irmão é um ano mais velho que eu, logo ele tinha cinco. A dele era maior e vermelha e a minha azul. Cada um ganhou uma, ou era o que achávamos. O que a princípio pareceu ser um momento de muita alegria, dias após se tornou um dos fatos mais antigos e mais marcantes que presenciei na minha vida interna. Por uma confusão da minha avó materna, ela teve que devolver uma das bicicletas, e foi justamente a do meu irmão. Consigo recordar a exata expressão dele ao perder seu objeto querido. Lembro também de perguntar para a minha mãe porque não poderiam levar a minha ao invés de levarem a dele. Não sei qual foi a resposta, talvez tenham sido compradas em lugares diferentes, não sei. Era novo demais para entender o fato, mas maduro demais para absorver o momento. Acho que esse é o primeiro sentimento intenso a que me recordo: a dor do meu irmão.

A partir deste dia, resolvi que eu faria de tudo para que ele jamais sofresse a mesma coisa. Sempre que ganhávamos algo eu perguntava qual ele tinha gostado mais, pois assim evitaria sua decepção. Quando abria a geladeira e via que tinha apenas uma maçã, eu não comia, pensando que talvez ele pudesse querer. Isso revelou um pouco de como eu sou: um eterno doador.

Sou um cara sem muitas posses e acho que o acontecimento há cerca de 25 anos me fez compreender desde cedo que nada daquilo que achamos possuir são necessários ou possuímos de fato. Não tenho o mesmo apego que a maioria, pelo menos não no quesito material. Para mim o sorriso, a satisfação, a troca, o afeto, amor, tudo isso é tão belo e importante que faz o restante se reduzir a nada. Por que deveria perder tempo cultivando objetos que “nascem” fadados a extinguir-se, cedo ou tarde? Não me entendam errado, também adoro possuir, como todos, mas acima de tudo amo cultivar. Cultivar o sorriso de quem gostamos, os momentos inesquecíveis, o apoio e incentivo, a segurança e conforto. Da mesma forma que sempre fiz contigo, mas não vim para falar de ti.

Eu sempre doei para todos que pude, mas há aqueles raros para os quais doei até aquilo que não possuia. E percebi que essa é a verdadeira doação. É lindo o ato de dar algo que você tem – e geralmente não precisa – para quem não tem e está necessitando, mas não existe nada mais absoluto e essencial que a doação pura, coisa que só acontece quando desenvolvemos um amor incondicional. Na frente dessas pessoas eu fico nu, despido de mim e de todas as coisas, pois a mim nada pertence. Consigo olhar para meu ato e me ver, como sou de verdade, e não como aprendi a desenvolver e aceitar. Nessa doação nada é perecível.

Estou longe da perfeição, eu sei, mas também parei há um tempo de buscá-la. Acho que isso está fazendo eu vasculhar mais facilmente aqui dentro. Entender. Deixar de lado todos os sentimentos que me distanciam do meu eu verdadeiro. Estou reaprendendo, buscando nas pequenas coisas a sensibilidade que me faz viver e deixando de dar valor ao que não merece atenção. Está sendo um movimento de dentro para fora, me expondo completamente. E, por incrível que possa parecer, isso faz eu entender melhor as pessoas e suas atitudes falhas e tortas. Estou me reeducando a existir e a me sensibilizar ao máximo.

Vim para falar de mim e um pouco das lembranças que indicam quem sou. Sei que disse algumas vezes que não falaria de ti, mas na verdade, ao falar de mim eu já o faço, é inevitável. Não pelo que você é ou foi, ou pelo que construímos juntos, mas pelo que fui capaz de captar e que minha memória transformou em essência. E isso sou eu também. Você está aqui. Dentro. Para sempre. E se as lembranças são memórias e as memórias são saudades, você está presente em lugar privilegiado. Da mesma forma que o menino de cinco anos sofrendo pela perda e que trouxe de volta pedaços que me compõem.

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Palavras apenas, palavras pequenas

janeiro 15, 2012

Noite tranquila. Um bebê chora. Rapidamente notamos a luz acendendo e uma mulher com a aparência cansada pacientemente pegando uma criança no colo. O choro termina. O silêncio impera. Normalmente o silêncio indicaria que o bebê deixou o desejo de lado e tornou a dormir, mas ao invés disso, ele continua nos braços da mãe, sendo amamentado. Ambos se comunicando.

Não há palavras, mas há troca. Uma troca tão natural e sobre-humana que dificilmente paramos para entendê-la. O choro que ora cessou também era troca, assim como o suspirar da mãe ao niná-lo, cansada e paciente.

Nós nos comunicamos de várias formas, ininterruptamente. Porém, valorizamos apenas uma: a palavra. Considero a palavra o pior e mais utilizado instrumento da comunicação. Talvez por ser o mais fácil ou o mais óbvio. No entanto, possui caracterísricas como: hesitação, multisignificação, indefinição e expiração.

Dizem por aí que “uma imagem vale mais que mil palavras”. Provavelmente seja pela inconstância das palavras e a necessidade delas imoderadamente. Raramente conseguimos nos comunicar com um discurso curto e, mais raro ainda é entendermos seus diversos aspectos. Estamos sujeitos ao exagero de letras e sons em forma de fonética e regras.

Outra limitação diz respeito a sua natureza, que de tão minuciosa é quase palpável. Quase sempre a palavra está ligada ao pensamento, ou seja, à aptidão mental sobre as situações e as coisas em si, e também à emoção, ou melhor, àquilo que interpretamos ao ler, ouvir ou ver algo. Mas onde a palavra contempla o significado absoluto das coisas, que existe independente da estúpida retórica? Não há meio que sirva de melhor via para a comunicação do que nós mesmos. Precisamos deixar com que as coisas façam parte do que somos e não do que pensamos ou acreditamos ser, ou pior ainda, do que sujeitamos às normas impessoais e massivas.

Quantas vezes paramos para admirar algo e mesmo sem criar a expressão mental “que lindo” nós o achamos lindo? Quantas vezes nós choramos sem saber o porquê e nos emocionamos com um simples olhar? Quantas vezes intuimos coisas boas em alguém mesmo sem conhecê-lo e sem entender o propósito? Quantas vezes rimos sem querer e nos completamos com pouco? Quantas vezes paramos e só sentimos e mais nada?

Eu gosto do olhar ingênuo e primitivo do ser resistente. Gosto das dúvidas, das contradições usuais, da falta e do receio. Gosto também do tocar das almas que gera um entendimento pasmoso. Gosto do dia e da noite. Gosto das conquistas, mesmo sabendo que nada são. Gosto do requinte e do simples, juntos e isolados. Gosto do vazio e da relatividade. Gosto de pensar da mesma forma que gosto de sentir e de ser. Gosto de gostar até do que não compreendo e, nesses momentos, entendo minhas negações e incertezas. Isso me reconstrói. Sem palavras.

E mesmo sabendo que nada do que diga falará por mim, é através destas falhas eloquentes e falsas que me comunico e me torno minha própria objeção. Apresento minha troca implícita  por meio deste texto trincado, ineficaz,  incompleto, sem fim e sem sentido. Paradoxal como a vida, eis que através das mesmas palavras desvalorizadas, me transformo no meu próprio empecilho.

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Minha exceção

janeiro 15, 2012

Eu sei o que você quer de mim. E a recíproca é verdadeira.

No caminho ordinário, encontro marcas que são difíceis defrontar. As máscaras são pintadas, os acessórios meticulosamente pregados e o disfarce vestido, mas existe algo que não consigo esconder.

Um álbum de fotografias expõe o suposto segredo adormecido, mas não os negligencia. Da mesma forma, as fotos que o compõe – que são memória – trazem à superfície saudações do que fui, do que poderia ter sido e do que planejava ser. Mas nada disso fora de verdade Eu, senão Eu mesmo, um Eu metafórico e dissimulado, por ser Outro de mim. Outrora Outro, agora Eu. E se o Eu que era Outro e agora sou Eu pode ser mais um, por que não ser um Outro Eu, distinto, mas igual?

Meu passado foi meu presente quando não era nada, mas acredito no nada da mesma forma que creio no tudo. O que é o tudo sem o nada? Antes de ser tudo, tudo era nada. E como tudo foi nada, e nada é ausência, a sentença é não saber nada por sua verdade precedente. Uma verdade que pode ser o nada anterior ao tudo.  Assim sendo, como poderemos saber a respeito das coisas ou das pessoas? Onde engasto as coisas que sei se nada sei?

O passado de ontem que era nada, mostra que hoje é presença, e esta é quase-tudo. O Outro que era Eu, agora é um Outro Eu, que junto com o quase-tudo – que não é nada e nem é tudo – é algo. Tendo isso em vista, passo a olhar também para a memória – que é sensação – e descubro que sei algo sobre você, mesmo que não seja tudo. São confidências guardadas junto com as fotos veladas e todo o fingimento.

Você é a minha exceção, o Outro Eu que faltava. Você é o nada que é tudo e o conforto de cada manhã. Você é a minha desilusão que surge toda vez que minha ilusão cessa. Você é o costume, o raro, o desfigurado. Você é o dissemelhante. Você é o segredo, o exigente, o perigoso.

Sua alma está exposta no meu álbum. E isso não podemos mudar. Talvez o Outro Eu possa, mas não o que me refiro. Por isso continuo vestindo a máscara, folheando a sensação – que é essência – e acreditando. Acreditando que se tudo é desconhecido – e esse tudo um dia foi nada – talvez o nada, que é ausência, se torne presença. Ou um resquício dela, que usarei para saber algo no meio de tanta falta.

Ainda que diga saber alguma coisa, a única certeza que terei é que continuaremos não sabendo a respeito de qualquer coisa. E isso é verdadeiro. Tão verdadeiro quanto o álbum, que é memória e é sensação e é essência; tão verdadeiro quanto as diferenças notadas e reveladas; tão verdadeiro quanto as aparências conservadas e as esperanças construídas; tão verdadeiro quanto a verdade de não saber verdades; e mais do que isso, tão verdadeiro quanto a própria recíproca quando ainda digo que sei o que você quer de mim.

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Seres humanos (se-res-hu-ma-nos)

dezembro 14, 2011

s.m.

Aquele que prefere desejo ao cultivo.

Cômodo. Preguiçoso. Insensível. Inerte.

Entidades de complexidade simples, portadores de escudos e fragilidade oculta. Geralmente enganam mais a si mesmo que aos outros, levando uma vida medíocre e sem sentido.

Seres de profunda ignorância, preferem fugir a encarar os fatos, alimentando o seu corpo de dor e passando a vida a sofrer por qualquer coisa.

Aquele que sente prazer em se torturar.

Falsos dominadores do universo e de suas vidas; racionalizadores de falsos conceitos.

Ostentadores de força imaginária e postiça. Dissimulados. Aquele que vela a fragilidade para evitar o sofrimento irreal – causado por ele mesmo e não pelos outros e pelas situações.

Quem é regido pelo Deus das Aparências e da Superficialidade e prega a instabilidade cotidiana – através de influência subliminar.

Todos aqueles que se contaminam pelas pressões externas e acreditam que fazer parte do Sistema o farão mais felizes.

Aquele que acredita mais no que gostaria de ser ao que realmente é.

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Eu não valho 1 centavo

dezembro 8, 2011

Sou um boneco de pano. Não fui feito com engenhocas, luzes piscando, movimentos ativados por botões. Sou apenas um velho boneco feito à mão, com uma complexidade triste e solitária. Estou na vitrine como os outros, com a única diferença de, dentre todos, ser o único invisível. Sou um ser de idiossincrasias não notadas.

Os outros bonecos em volta são bem vistos e isso me dá uma pontada de inveja. Me sinto um objeto estranho dentro de um relicário. Confesso que meu maior sonho sempre foi o de ser querido e reparado como eles. E se de alguma maneira o sou, todos tem vergonha de serem vistos ao meu lado. Nada me mata mais do que isso. Acho que só estou no mostruário porque me esqueceram lá…

Cada detalhe do meu corpo tem o suor e o amor de quem me fez. E estes foram tão grandiosos que acumulo afeição para compartilhar. Contudo, não há quem deseje tal caridade. Gostaria que notassem esse valor, mas não valho nem um centavo. Sou o estorvo, o estranho, o desigual. E passo as noites na vitrine apagada, sozinho e triste. Meus valores não cabem numa bolsa de moedas, por minha natureza disforme, mas estão dispostos em cada minúcia do que sou.

Já tive alguns donos, mas receio que nenhum deles me tiveram. Tenho medo que eles não guardem nem as minhas lembranças; dos bons e dos maus momentos. Eu lembro de cada um e de cada momento que fruimos um na companhia do outro. Lembro dos gestos, dos sorrisos, das lágrimas e da falta que me faziam quando estavam distantes. E que ainda fazem.

Como nada posso fazer, sofro em silêncio. E continuo na esperança de um dia existir. Enquanto isso, só me resta compreender e fazer o de sempre: fingir que sou querido e continuar paciente e confiante de que um dia reconheçam a minha importância.

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O mito do desconhecido

dezembro 7, 2011

Não há nada mais assustador que o desconhecido. Não sabemos como agir, ficamos confusos e acabamos recuando.

Não há nada mais intimidador que o desconhecido. Nos sentimos frágeis, submissos e por fim ficamos bloqueados.

Não há nada mais limitador que o desconhecido. Pensamos demais, agimos de menos e perdemos o caminho, andando na contramão.

Porém, não há nada mais necessário que o desconhecido. Se quisermos e tentarmos entendê-lo conseguiremos enxergar que ele não é nada mais que construção, renovação e evolução. Nós desconhecemos muito mais que conhecemos. O diferente não é ruim e não precisa ser temido, pelo contrário, pode ser a estrada que nos guia até a realização de nossos objetivos.

Não perca as oportunidades. Quebre seus paradigmas. Aprenda a se reconstruir. Atualize seu modo de viver e suas convicções, por mais controversa que possa parecer. Entenda qual é sua real segurança. Aventure-se (naquilo que te fará crescer).

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Reflita-se

dezembro 6, 2011

Sonhos são curiosos. Eu quase nunca tenho um sonho verossímil, mas se prestar bem atenção são todos reflexos do que sou e do momento que vivo. Tentamos levar ao “pé da letra”, mas quase nunca é, até os mais reais. É preciso ser muito habilidoso para entender de verdade a mensagem. O engraçado é que quanto mais fora da realidade aparente, mais eu consigo lembrar e entender.

Tive um sonho assim hoje.

Estava conversando sobre isso ontem. Sobre a linguagem não verbal, que é muito importante para sabermos nos comunicar com o mundo e conosco. Temos a mania de comunicar apenas com as palavras, e não procuramos as outras milhares de maneiras que temos para transmitir e receber algo.

Simplificamos tudo por preguiça ou medo de parecermos perdidos e ignorantes. E é isso que nos faz agir de maneira errada na maioria das vezes. Tem gente que por falar o que pensa acredita estar sendo o mais verdadeiro, mas será que essa pessoa já parou para refletir sobre o que de fato é e, consequentemente, sobre o que de fato pensa? Precisamos aprender a olhar para os pequenos vestígios, as entrelinhas, observar o nosso reflexo – nos outros e em nós mesmos.

Hoje, ao acordar, me olhei no espelho. Mas foi antes de acordar que pude ver meu reflexo.

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Quando o sorriso morre

dezembro 4, 2011

Passamos a vida nos estragando. Criamos travas, cultivamos escudos e sabotamos tudo o que é melhor para a gente, achando que estamos fazendo o certo. Usamos nossa “bagagem” como desculpa, alegando conhecimento e sabedoria.

Sou um pouco obcecado pela natureza humana e sua complexidade e, achando que pudesse encontrar algumas respostas, comecei a observar bastante as crianças pela rua, principalmente os bebês. Fico perdido na confusão do seu olhar, na pureza de seu sorriso e fico pensando em que ponto que isso tudo para de existir… Quando deixamos de exprimir nossas verdades?

Não há nada no mundo que diga mais que um sorriso, um olhar, uma lágrima. E não há nada mais verdadeiro do que essas coisas proferidas por uma criança. Tento buscar esse meu lado infantil diariamente e é isso que me faz ser tão confiante que um dia conseguirei abolir todos os bloqueios e ser apenas Eu. Feliz, “puro” e “completo”.

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Sob a noite

dezembro 1, 2011

Deitado.

Olho para o céu escuro.

Respiro.

Sinto falta de ar.

Respiro novamente.

Abro bem os olhos.

Só vejo nuvens.

Penso.

Fecho os olhos.

Durmo.

Sonho.

Acordo assustado.

Penso.

Fecho os olhos.

Durmo.

Abro os olhos.

Choro.

Respiro.

Sinto falta de ar.

Respiro novamente.

Olho para o céu escuro.

Cai um pingo em meus olhos.

Respiro.

Fecho os olhos.

Penso.

Sinto falta de ar.

Sonho.

Só vejo nuvens.

Sinto falta de ar.

Abro bem os olhos.

Cai um pingo em meus olhos.

Céu desaba.

Olho para o céu escuro.

Sonho.

Acordo assustado.

Desejo.

Durmo.

Penso.

Lembro.

Sorrio.

Cai um pingo de meus olhos.

Sorrio.

Lembro.

Acordo assustado.

Sinto.

Olhos desabam.

Chuva cessa.

Só vejo nuvens.

Choro.

Sorrio.

Penso.

Sinto falta de ar.

Respiro.

Abro bem os olhos.

Durmo.

Sonho.

Acordo asustado.

Olho para o céu claro.

Sorrio.

Cai um pingo de meus olhos.

Espero.

Desejo.

Levanto.

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Auto-legitimidade

dezembro 1, 2011

Hoje ao acordar, conversei com Deus. Sentei aos seus pés e narrei toda minha vida. Contei também meus sonhos e minhas desilusões. Lembrei dos momentos felizes, das horas inconstantes e das dúvidas. Durante a conversa Deus nada falou, ficou à escuta, com seu olhar de ternura corriqueiro, mas prestava atenção, mesmo já sebendo todas as palavras proferidas. Me senti tão bem ao estar ali que finalmente me senti humano e protegido novamente. Deus pegou nas minhas mãos e disse ter orgulho de mim e das minhas escolhas. Olhou ao redor e me apontou as cores, as formas e me fez ouvir todos os sons que existem. Achei tudo incrível. Já tinha visto tudo aquilo, mas nunca tinha reparado sua beleza habitual. Ele me fez entender que tudo que existe tem uma importância singular e, por causa disso, devemos dar valor a tudo que está à nossa volta. Quando o sol começou a se pôr, respirei profundamente e pude sentir seu perfume. Não sei descrever o que parecia, mas era uma espécie de junção de todas as flores existentes. Encostei minha cabeça em seu colo e pude sentir seu cafuné. Desejei que aquele momento não acabasse. Quando fechei os olhos ele se foi. Subitamente. Nem consegui me despedir. Já estava achando que a presença de Deus não tinha passado de um belo sonho, quando percebo um papel em minhas mãos. Foi um bilhete deixado por Ele, que dizia: “A resposta para todas suas dúvidas está em você mesmo, pois é onde eu estarei quando precisar de mim”. Dobrei o papel com zelo e guardei no bolso da calça. Me ajeitei novamente, buscando uma posição confortável, dei um último suspiro aliviado, fechei os olhos e dormi. Em paz.

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Smile…

novembro 28, 2011

Depois de passar horas fruindo e me sensibilizando na exposição “Chaplin e sua imagem”, não posso deixar de postar a música composta por Charles Chaplin que resume TUDO.

SMILE

Smile, Though your heart is aching
Smile, even though it’s breaking,
When there are clouds in the sky -
You’ll get by,
If you smile
through your fear and sorrow,
Smile and maybe tomorrow

You’ll find that life is still worthwhile,
If you just..

Light up your face with gladness,
Hide every trace of sadness,
Altho’ a tear may be ever so near,
That’s the time you must keep on trying,
Smile – What’s the use of crying,
You’ll find that life is still worthwhile,
If you just smile.

Smile, Though your heart is aching
Smile, even though it’s breaking,
When there are clouds in the sky -
You’ll get by,
If you smile
through your fear and sorrow,
Smile and maybe tomorrow

You’ll find that life is still worthwhile,
If you just smile.

That’s the time you must keep on trying,
Smile – What’s the use of crying,
You’ll find that life is still worthwhile,
If you just smile.

É… a vida realmente vale a pena! =D
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Portal para casa

novembro 28, 2011

Sempre que venho a São Paulo faço uma brincadeira: finjo que em algumas ruas homônimas às do Rio de Janeiro existem portais que me transportariam de um lugar ao outro em segundos. Semana passada estava passeando pela Haddock Lobo (em São Paulo) e por um breve instante achei que fosse cair na Conde de Bonfim (no Rio de Janeiro). Só reparei a confusão quando me dei conta de que estava andando pela Av. Paulista.

Talvez o que trouxe tal desconfiança tenha sido o sentimento de estar em casa.

Os portais foram a minha brincadeira de antigamente, até perceber que o divertimento de outrora não era tão fictício. Os portais existem, são símbolos do que vivo agora. Não é possível transferir o meu corpo, mas a minha alma foi trazida para cá. Sinto cada esquina, cada quarteirão, como um lugar conhecido e aconchegante.

Amo o Rio de Janeiro, mas o ritmo daqui tem mais a ver com o ritmo de vida que pretendo levar daqui para a frente. Esses pequenos atalhos apenas me direcionaram para o lugar onde devo permanecer e repousar. Pelo menos por enquanto. Até lá, continuarei vivendo ativamente e esperando a vida me mostrar novos atalhos e me transportar por novos caminhos.

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Quando o amor vacila

novembro 19, 2011

Eu sei que atrás desse universo de aparências,das diferenças todas, a esperança é preservada.

Nas xícaras sujas de ontem o café de cada manhã é servido.

Mas existe uma palavra que não suporto ouvir e dela não me conformo.

Eu acredito em tudo, mas quero você agora! Eu te amo pelas tuas faltas, pelo teu corpo marcado, pelas tuas cicatrizes, pelas tuas loucuras todas, minha vida.

Eu amo as tuas mãos, mesmo que por causa delas eu não saiba o que fazer das minhas.

Amo o teu jogo triste e as tuas roupas sujas é aqui em casa que eu lavo.

Eu amo a tua alegria mesmo fora de si, te amo pela tua essência e te amo até pelo que você podia ter sido, se a maré das circunstâncias não tivesse te rebanhado nas águas do equívoco.

Te amo nas horas infernais e na vida sem tempo…

Te amo pelas crianças e futuras rugas.

Te amo pelas tuas ilusões perdidas e teus sonhos inúteis…

Amo teu sistema de vida e morte, te amo pelas tuas entradas, saídas e bandeiras e te amo desde os teus pés até o que te escapa.

Te amo de alma para alma e mais que as palavras, ainda que seja através delas que eu me defendo quando digo que te amo mais que o silêncio dos momentos difíceis, quando o próprio amor vacila

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Forasteiro

novembro 19, 2011

Outrora eu era daqui, e hoje regresso estrangeiro,

Forasteiro do que vejo e ouço, velho de mim.

Já vi tudo, ainda o que nunca vi, nem o que nunca verei.

Eu reinei no que nunca fui.

(Texto de Fernando Pessoa)

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Até logo…

novembro 18, 2011

Prezado,

Não sei por onde começar..

Primeiro gostaria de dizer o quanto fico feliz por tê-lo tido perto de mim. Prezo muito a forma como você entrou na minha vida e mexeu com todas as minhas emoções. Agradeço por toda atenção e carinho despendido.

Você sabe que passei um momento perdido, sem rumo, e não teria conseguido encontrar o caminho se não fosse pela sua ajuda e seu conforto. Sou eternamente grato por isso.

Graças a isso tudo fui capaz de te conhecer, por fora e por dentro, vendo nesse aparente corpo de menino um homem com uma sensibilidade tão latente que me fez acreditar de novo nos seres humanos. E em tudo de bom que vem com eles. Sempre foi muito confortante sua influência em todas as minhas questões.

Obrigado por dividir seus medos e dúvidas, por fazer eu me sentir importante enquanto me encontrava solitário, por respeitar minhas confusões e, mesmo sabendo que não poderia me dar tudo, por me dar sempre tudo o que pôde. Não há nada mais emocionante que ter alguém desse tipo ao seu lado, em todas as horas, em todos os momentos. E em todas as desilusões.

Agradeço também pelos tempos perdidos, pelas noites aconchegantes, pela cumplicidade em todos os momentos. Não vou esquecer o sorriso, as brincadeiras, os momentos de prazer, as cantigas de ninar, as tardes-relâmpago e a maneira como todas as coisas existiam no plural.

Ainda ouço os sussurros do meu nome ao pé do ouvido.

Meu maior temor sempre foi perdê-lo, pois fiquei viciado na sua presença e na sensação que ela trazia. Eu quase pude senti-lo novamente. Mas foi nesse momento que você fugiu.. como pó carregado pelo vento, como fumaça se espalhando pelo ar, como água escorrendo por entre meus dedos.. E nada pude fazer.

Não sei nada sobre o seu paradeiro. Mas nunca serei capaz de esquecê-lo. Nem por um minuto, nem por um segundo. Ainda o vejo em meus sonhos, diariamente, e por isso reluto em acordar.

Hoje estou entrando em uma nova fase. Parei de procurar pelos rastros deixados, mas não deixarei de ter esperanças que consiga encontrar o caminho de volta. Deixei alguns sinais pela estrada para que possa, mesmo com a sua cegueira, voltar para casa. E quando voltar, estarei da mesma forma. Talvez um pouco mais cansado. Mas feliz. Porque sei que quando estiver de volta será para vivermos e revivermos a maior aventura de todas.

Sinto muito a sua falta!

Esta não é uma carta de adeus, e sim de até logo. Espero por sua volta.

P.S.: Sei que não conseguirá ler essa carta, mas espero que sinta que ela existe.

Com carinho,

Eu.

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Tears in Heaven

novembro 18, 2011

Tentando ser o melhor que poderia ser, eis que me sinto a pior pessoa do mundo. Essa contradição me faz pensar que talvez eu seja. Preciso de um tempo para me convencer que não, mesmo tendo minha consciência e coração tranquilos.

“Would you know my name
If I saw you in Heaven?
Will you be the same
If I saw you in Heaven?
I must be strong
And carry on
‘Cause I know I don’t belong
Here in Heaven
Would you hold my hand
If I saw you in Heaven?
Would you help me stand
If I saw you in Heaven?
I’ll find my way
Through night and day
‘Cause I know I just can’t stay
Here in Heaven
Time can bring you down
Time can bend your knees
Time can break your heart
Have you begging please
Begging please
Beyond the dark
There’s peace
I’m sure
And I know there’ll be no more
Tears in Heaven
Would you know my name
If I saw you in Heaven?
Will you be the same
If I saw you in Heaven?”
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A alegria de ser feliz

novembro 17, 2011

A gente agarra uma coisa que alivia nossa dor e fingimos que isso nos faz bem. Isso mesmo, enganamos a nós mesmos para evitar o sofrimento. Felicidade é outra coisa, não se iluda. Não devemos fugir do que somos e do que nos faz bem de verdade. A dor é inevitável e vai surgir mesmo nos melhores momentos. Só que nosso tempo é curto para compreender e enxergar isso tudo.

Tinha um amigo na minha primeira faculdade (Stanley) que uma vez escreveu um texto sobre a diferença entre alegria e felicidade. Eu achava perfeito, porque dizia justamente o que penso sobre o assunto. Era singelo e muito bonito. Não lembro as exatas palavras, obviamente, só a essência dele, que era mais ou menos o que direi a seguir:

“Quando sorrimos queremos ser felizes, mas não paramos para entender o real sentido da palavra e o que ela significa dentro de nós e de nossas vidas. Há os que riem o tempo todo e os que quase nunca riem. E temos a mania de tachar as pessoas pelo que vemos e não pelo que são. O pior é que não fazemos isso só com os outros, fazemos isso com nós mesmos: buscando uma fuga, um escape, um alívio e fingimos que cada risada faz parte do nosso ideal de vida.

Não há nada mais perecível que um sorriso de alegria. Nos alegramos facilmente, com tudo, com todos. E é saudável. Minha única questão quanto a isso é a maneira como compreendemos as situações e momentos em nossas vidas. Nós tentamos ser alegres na frente dos outros para não mostramos nossas fragilidades e não reconhecermos nossa confusão e insatisfação com o que estamos vivendo de verdade. É inconsciente. Contudo, isso tudo no futuro serão momentos esquecidos e nada significativos e, por isso, não é a isso que devemos nos apegar. Devemos construir o tempo todo, tentar amadurecer quem somos e trazer o prazer para nossas vidas de forma que nossa alma se alivie verdadeiramente. Alegria e felicidade não são a mesma coisa, nem no dicionário.

Alegria: s.f. Forte impressão de prazer causada pela posse de um bem real ou imaginário: pular de alegria. Júbilo, contentamento, gáudio. Tudo que alegra e contenta: os filhos são a alegria dos pais. Sucesso feliz. Festa, divertimento.
Felicidade: s.f. Estado de quem é feliz. Ventura. Bem-estar, contentamento. Bom resultado, bom êxito. F. eterna: bem-aventurança.

Eu quero ser um cara alegre, divertido, mas acima de tudo quero ser feliz. Quero conquistar e cultivar. Quero dar e receber. Quero amar e ser amado. Quero entender quem sou e o que significa tudo a minha volta. A alegria é aquilo que todos podem VER (e queremos que todos vejam), felicidade é aquilo que só nós podemos SENTIR. E é o que de fato é importante. Seja feliz e a alegria virá em alguns momentos como bônus. O contrário não é possível, é perda de tempo. Acreditem. Não quero olhar para trás e ver o que deixei passar. Olharei para frente e para o agora e verei o que posso fazer para me tornar uma pessoa melhor e mais feliz.”

Na história do meu amigo ele usava uma foca como personagem para transmitir esse contraponto alegria x felicidade. Na minha, eu sou o personagem.