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I’ll be there

Junho 30, 2009

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O mundo é um lugar triste, cheio de pessoas tristes, vivendo uma vida triste.

Me sinto sufocado vivendo nesse mundo. Não que o mundo seja um lugar ruim. Não, ele não é. Mas tentamos de todo jeito fazer com que ele seja. A gente tenta tornar a vida complexa, e quase sempre conseguimos. Porém, tenho aprendido que tudo é e pode ser tão simples e às vezes, tentando ser complexos, deixamos de aproveitar as melhores coisas. Coisas aparentemente primitivas, mas que tem uma dimensão absurda em sua essência. Deixamos de apreciar os momentos, de sentir os prazeres, grandes ou pequenos, não importa.

Eu quero poder fazer minhas escolhas e criar meu mundo, o meu mundo imperfeito. Quero rir e chorar como se fossem coisas complementares e pensar e sentir ao mesmo tempo. E isso sem precisar justificar meus atos, sem precisar pensar o porquê, sem buscar as respostas. Quero apenas senti-las. E se desejo um mundo melhor, devo buscar por ele. Devo idealizá-lo. Devo construí-lo. Não posso querer que o façam por mim. Acho que passei a entender também que nem tudo é necessário ser pensado e que as coisas às vezes não precisam ser entendidas.  Esse é o meu verdadeiro sentido da vida. Viver a vida lembrando que ela é única. Rir por qualquer coisa, sem motivo. Fazer o máximo que puder para viver em um mundo melhor. No meu e no nosso mundo. Passamos tanto tempo reclamando das coisas que não dão certo que esquecemos de aproveitar as coisas que realmente nos importam.

Hoje as lágrimas que caem também são sem explicação. E não precisam ter. Há um pouco de tristeza, mas também uma profunda alegria. Como tudo. Como todos. Eu também quero ser incompreendido e me conectar com o mundo, seja ele qual for. Viver através dos meus sentidos e ser um ser humano único que respeita acima de tudo a vida. Entendendo e sentindo todas as dores e todas as alegrias dentro de cada coisa. E fazer com que cada coisa seja um pouco de nós. E que isso nos faça rir. Ou chorar. Pelo simples fato de ser. Pelo simples fato de existir e fazer parte de nossas vidas.

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Schadenfreude

Abril 25, 2009

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Como era de costume na minha antiga faculdade, eu e meus amigos estávamos conversando encostados no corrimão da escada que dava para o prédio em que estudávamos. Eis que um dia surge uma menina, devia ter seus 18 aninhos, magrinha, do tipo bem tímida. Se não fosse pelo detalhe de estar carregando em seus braços diversos livros talvez nem a tivesse reparado naquele momento. Eu estava em um ângulo privilegiado. Tudo aconteceu em segundos, mas para a pobre menina deve ter durado horas ou até dias. No momento em que ela encostou o pé no primeiro degrau veio o primeiro tombo. Só que ao mesmo tempo em que caia ela se esforçava em ficar de pé. Não houve tombo completo. Porém, toda vez que tentava se erguer vinha mais um degrau e mais um tombo. E assim foi durante toda escadaria. Uma queda incompleta, caindo, levantando e, ao mesmo tempo, subindo a escada. Quando enfim a menina chegou no último degrau veio o tombo final, e essa sim foi uma senhora queda. Os livros que carregava se espalharam por todo o chão. A menina chegou a permanecer alguns segundos imóvel. Lentamente foi catando os livros espalhados, com o rosto rubro de menina tímida, morrendo de vergonha, levantou-se e se dirigiu para o prédio. Ninguém tentou ajudar. Pelo contrário, durante o trajeto todos olharam pasmos com a cena, e quando, finalmente, ela chegou ao chão a única coisa que se conseguia ouvir ao redor eram as gargalhadas das pessoas. Inclusive a minha. Confesso que nunca ri tanto na minha vida. Ficamos horas rindo do acontecido e para ser sincero, hoje, dez anos após, continuo rindo da desgraça da menina. Nunca mais a vi, mas com certeza jamais a esquecerei.

Engraçado esse hábito que temos de rir dos outros. Como se a desgraça daquela pessoa naquele momento fosse maior que a sua. De toda sua vida. Quase um alívio. Acho que por isso o riso sempre vem junto com essas situações. Você ri do outro para não ter que rir de si mesmo. Uma defesa para nós mesmos de não nos mostrarmos pessoas falhas e às vezes deprimentes. Faz parte do nosso lado humano imperfeito. Talvez se a menina da história tivesse de fato se machucado a primeira reação fosse solidária de tentar ajudá-la, mas inevitavelmente ela se tornaria piada mais para frente (em poucos minutos, com certeza). É verdade que por vezes rimos das nossas próprias desgraças, mas o tempo entre o drama e a comédia nessas situações é sempre maior. Muito antes já viramos chacota das pessoas.

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Quebra-cabeça

Abril 22, 2009

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Uma das melhores coisas que existe é conhecer pessoas que signifiquem muito na sua vida. E é engraçado como acontece. Primeiramente você nunca viu a pessoa, não sabe nada dela, e no momento seguinte vocês estão tão ligados que não consegue imaginar sua vida sem ela. Mas você teve uma vida sem ela. O que faz essas pessoas serem tão significantes a ponto de serem indispensáveis? Penso que uma das etapas da trajetória de qualquer pessoa é o de colhimento de pessoas especiais. Como se parte do que você é estivesse ligado a quem você se liga. São espelhos de si. Todos são nós mesmos. E assim as pessoas vão se construindo, seres de constante mutação.

Quando alguém entra em nossa vida, essa pessoa faz com que sejamos mais o que somos (ou o que seremos). E isso me faz pensar como somos seres incompletos, incapazes de prosseguir sem uma co-existência. Somos dependentes um do outro. Sim, eu dependo de todos que de alguma forma se ligaram a mim e fico feliz de ter encontrado essas pessoas. Eram muitos caminhos, muitas opções, mas foi esse que eu segui, com estas pessoas.

E vou seguindo na esperança de conhecer mais pessoais especiais que completem mais um pedaço desse eterno quebra-cabeça.

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Eu, robô

Março 29, 2009

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Tenho medo de não ser humano. Ou de não parecer um. Às vezes parece que vivo numa grande fábrica onde a cada segundo são fabricados novos seres humanos. Receio andar em uma estrada e acabar me vendo em uma grande esteira. Para onde estou indo? Onde vou chegar? E quem são esses humanos-robôs? Temo fazer parte disso, e deixar de ser uma máquina de carne e osso.

Tempos modernos. Todos veneram as máquinas, menos eu. Até as admiro pela forma, mas sinto pena por elas não poderem sentir. E é essa sensibilidade que nos distancia e, ao mesmo tempo, nos aproxima. Não sou nada sem eles e faço tudo por eles, mas nem sempre sou capaz de entendê-los.

Só espero que não descubram que sou uma fraude, pois por trás do corpo de lata e dos órgãos ocos há uma outra vida que flui, que bomba. Enquanto isso, pretendo estar entre eles, como um qualquer. Sem esquecer quem sou, nem  para que fui fabricado. Este sim é o verdadeiro sentido da vida e da minha existência. Não sigo manual de instruções.

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Cook Fever

Junho 25, 2008

Depois de tanto tempo, nada melhor para comemorar o retorno do que falar de meu novo ídolo, meu vício musical, David Cook. Trata-se do vencedor do reality show americano American Idol, que em sua sétima temporada, demonstrou ter sido a melhor quanto ao nível dos participantes.

Desde o início do programa, Cook já era o meu preferido. Além da belíssima voz, ele era o que mais se arriscava e inovava. Como não lembrar das apresentações de Always be my baby (de Mariah Carey) ou Billie Jean (de Michael Jackson)? Como não se arrepiar ao ouví-lo cantar Hello (de Lionel Richie)? Impossível! Não tenho palavras para descrever tal artista, um músico de primeira. Sublime. Mágico. Maravilhoso. Inspirador. Gênio. Brilhante. Forte. Sensível. Fantástico.

É engraçado como algumas coisas entram na nossa vida e quando percebemos elas já fazem tanto parte dela que é como se nunca estivessem ausente. Assim é com Cook. É quase como uma febre, só que saudável, porque não se trata de uma necessidade, e sim de uma vontade de ouví-lo sempre. De uma coisa tenho certeza: Cook entrou na minha vida para nunca mais sair. 

O recente cd (pós-american idol) de fato é maravilhoso, mas nada como o antigo Analog Heart. Continua sendo o meu favorito. Mas fica aí a dica! Esse cara é bom!

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Álbum de fotos

Abril 30, 2008

Passado com a esperança do futuro. Viver é bom. A prova disso são todos os momentos incríveis que passamos… Não podemos voltar atrás para revivê-los, mas podemos olhar para eles como muita admiração e felicidade, simplesmente por tê-los vivido plenamente. De resto, são só saudades. São momentos da vida que jamais sairão da minha memória, nem do meu coração.

É incrível como um álbum de fotos diz mais sobre você do que qualquer outra coisa. Você está ali, vivendo.

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Carpe Diem

Fevereiro 13, 2008

Parece que não escrevo aqui há anos.

A propósito, posso dizer que parte disso se deve ao modo como me encontro hoje, agora. Não me reconheço mais nos posts de antes.

Ação-reação. É como o mundo se move.

Sou daquele tipo de pessoa que luta pelo o que quer, de verdade. Porém, também sou daqueles que quando enxergam que algo não vai dar certo, cai fora de vez. Posso demorar para perceber, mas uma hora acontece, acreditem.

Minha vida tem sido assim, cada minuto. E por conta disso, tô caindo fora!

Cansei de ficar chorando por tudo e por todos, e de esperar com que as coisas aconteçam. Sempre pensei no Outro, mas quando vou parar para pensar em mim? Agora. Hoje. Sempre. A partir deste minuto.

Aproveitarei cada minuto como se fosse o último. “Carpe Diem”.

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A Queda!

Janeiro 10, 2008

Meu corpo está estendido no chão. E distendido. E arrependido de ter deitado – mesmo não sendo espontâneo. Suspiro. Levanto de uma vez só. Sento. Deito novamente. Não tenho forças. Eu tinha, e eu sabia disso. Eu e o moço que me derrubou no chão. Não lembro o motivo da queda, mas suspeito que seja por algo que tenha feito. O que fiz? Por que fiz? Não sei responder. Tentei procurar as respostas enquanto meu corpo se matinha estirado, mas a única coisa que consegui concretizar foi que nada sei, ou melhor, nunca soube. De nada. Nem de mim mesmo. Gostava de quando estava em pé, gostava muito, até o moço provocar a queda. E que queda! Não tem problema… sei que ainda vou conseguir levantar de novo. Mas o estrago foi grande. É engraçado eu não lembrar da queda, porém, mais engraçado ainda é não lembrar o porquê. Eu já havia visto aquele moço antes, eu sei disso. Mas onde? Não sei. Não o reconheço agora. Talvez seja uma vaga lembrança de alguém que conheci, ou de alguém que jamais conhecerei. Continuo deitado. Pálido, quase inconsciente. Está na hora de dormir. Agora. É só fechar os olhos, muito fácil, já estou preparado para o sono. Hibernarei. Até o momento do fim do pesadelo, do fim da queda. Provavelmente estarei melhor ao acordar. E se não conseguir mais levantar, voltarei a fechar os olhos e repousar, até o momento em que a dor cesse e eu possa catar os restos jogados ao chão e novamente ficar de pé.

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Ponto Final

Dezembro 18, 2007

Lápis

Ontem pensei em dar um ponto final. Um ponto final na minha história, um ponto final na minha vida. Mas tudo me pareceu tão frágil. O lápis com o qual tentava pontuar não tinha mais ponta e a borracha que sempre apagava aquele pequeno ponto incerto já se fazia em pó. Um dia me disseram que o melhor era pontuar a caneta, mas qual seria a vantagem de pontuar e não poder sequer consertar aquele sinal minucioso? Eu já dei muitos pontos, de várias formas, mas sempre no mesmo lugar, e se me fosse tido o direito de escolher, diria que o melhor sempre estaria por vir. E mesmo assim não me dei o direito de escolhê-lo.

Hoje eu dei mais um ponto final. Um ponto final na minha história, um ponto final na minha vida. Mas tudo me pareceu tão falso. Porque o ponto que dei não era um ponto, e sim uma virgula. Toda vez que encostava o lápis no papel ele escapava e formava um risco sobressalente. Era minúsculo o erro, mas não era como havia de ser o ponto. Queria um ponto perfeito, um ponto exato. Por isso catei todo o farelo de borracha que ainda restava e experimentei mais uma vez apagar o ponto (ou a vírgula) que se formara, tentando com todo cuidado conter o borrão que pudesse aparecer. Eis que volto para onde acabara de sair: o papel em branco, pronto para mais uma tentativa, mais um ponto.

Amanhã vou tentar mais uma vez dar o ponto final. Um ponto final na minha história, um ponto final na minha vida. Mas tudo me parece tão vago. Enquanto eu espero o falado ponto, o ponto perfeito, paro e penso que talvez o erro não esteja no ponto em si, mas sim no próprio papel o qual escrevo, seja pelas marcas deixadas nele ou pela sua importância contida e registrada. Pensei em rasgar este pedaço de papel e esquecer do ponto final, até perceber que essa não era a saída, pois o ponto continuaria inacabado e imperfeito. Decidi então guardá-lo em uma gaveta e deixá-lo por lá, e junto com ele colocaria um pedaço de lápis, já em cotoco, e a borracha esfarelada, para que a cada momento em que abrisse a gaveta, tivesse mais uma tentativa. A tentativa do ponto perfeito, do ponto final.

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Televisão – o mal de quem não quer pensar

Outubro 29, 2007

Televisão

Se há uma coisa insuportável de se ver, esta coisa é TV de sinal aberto. A começar por suas novelas. Entra uma, sai outra, e é sempre a mesma repetição estúpida: a mocinha que sofre de amor, o mocinho injustiçado que é forçado a se separar de seu objeto amado, o vilão impune que só recebe seu castigo no último capítulo, personagens sem propósito que só servem para “encher lingüiça” e ocupar mais tempo no ar. Um enredo simples com personagens banais – salvo algumas poucas exceções- onde, na maioria das vezes, até os nomes são os mesmos.

Não existe espaço para a criatividade e inovação. Muito disso se deve a um esvaziamento do público, uma rejeição a novos formatos. Quando os autores tentam renovar, a ousadia se reflete em uma considerável queda de audiência e logo são obrigados a voltar à forma antiga. Por isso não vemos as emissoras arriscarem muito, e por isso também, mesmo mudando de canal, nos deparamos com programas absolutamente semelhantes. Não há o mínimo de variedade na programação de TV aberta. E isso não diz respeito apenas ao gênero novelístico, mas a todo e qualquer programa das estações transmissoras.

Obviamente o espectador tem grande culpa nisso, já que a programação é projetada segundo o que ele quer ver. Todos sabemos que a audiência é que faz a televisão funcionar. Sem público, há um menor interesse de investidor – no caso a publicidade -, o que pode levar a emissora à ruína. Definitivamente é algo de onde não se pode escapar, infelizmente.

Opondo-se a esta lógica -em partes, pelo menos -, está outro segmento de mercado: a TV de sinal codificado. Apesar de nos dias de hoje elas também se apoiarem na propaganda, sua base financeira é obtida através de assinatura. Isso contribui para: melhor elaboração estrutural; maior variedade, de conteúdo e de canais oferecidos – hoje em dia passando da casa dos 100-; e por conseguinte, uma maior identificação com esse tipo de espectador. O público deste segmento apresenta uma rigidez maior quanto ao que lhe é oferecido, porém, por vezes, se apresenta inflexível a mudanças. A exemplo disso, vemos que um número grande de pessoas que possuem TV por assinatura assistem constantemente a TV aberta.

Não é a intelectualidade que está em questão, mas sim como se dá esta recepção, ou melhor, como o espectador, independente de seu grau de instrução, se satisfaz ao ver televisão. Parece que estes gozam em não ter que pensar em frente a TV; é uma fuga do dia-a-dia cansativo e das situações do cotidiano. A televisão passa a ser um mero e simples canal de entretenimento, diversão. Paro para pensar se haverá um dia em que ela deixará de ser distração, passatempo, e se tornará arte. Logo em seguida, instantaneamente, me vem a resposta: impossível. Acho que a TV está bem distante deste conceito. A princípio espero apenas que, pelo menos, ela consiga ser vista também por seu conteúdo, e que se torne mais uma forma de aprendizado e formação cultural, o que já é um desejo bastante pretensioso.